sábado, 31 de janeiro de 2009

tRÊS vEZES dE mAL




Três vertentes principais borbulham na obra do baiano Dorival Caymmi: canções praieiras e sambas de roda (nas quais a Bahia, claro, predomina) e, de inspiração carioca, os sambas urbanos. O samba-canção "Marina", escrito em 1947, vem da terceira tchurma.

De aparente simplicidade (e óbvia preguiça), conta a zanga do homem ciumento que não gosta de ver a doce esposa pintada. Curiosidade: Caymmi começou a música pelo final, repetindo uma frase do filho Dori, então com três anos. Ao ser contrariado, o guri reagia dizendo:

"Tô de mal com você, tô de mal com você..."

Hit já de largada, a canção ganhou registro de três cantores: Dick Farney, Francisco Alves, Nelson Gonçalves - além do próprio Caymmi. Foi o que, na época, acabou com o paradigma das gravadoras brasileiras, as quais não admitiam que a mesma música fosse lançada por mais de um intérprete.

A versão de Nelson apresenta os predicados costumeiros



Ficou eterno, porém, o registro que Dick Farney (nome verdadeiro Farnésio Dutra e Silva) fez no álbum Copacabana, de 1947. Em Nova York, Dick tinha cantando ao lado de Nat King Cole, Bill Evans e David Brubeck. Também realizara apresentações na rádio NBC patrocinado pelos cigarros Philip Morris.



O cantor retornou ao Rio, em 1948, dando grande show na boate Vogue. Dick tornou "Marina" presença obrigatória nas suas apresentações em boites - ambiente em que reinou por anos e mais anos a fio. E, já que ele também é o cara, uma do disco Jazz: "RGE Blues", de 1962

fAZENDO a fESTA*


Louco (com Alcione)



As rosas não falam (com Elizeth Cardoso)



*Ele & Elas deu tão certo que foram editados dois volumes da série. O produtor José Milton, que trabalhou nesses discos, lembra: "Nelson cantou com elas e acabou cantando elas todas"

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

pENSA bEM nO qUE tU vAIS fAZER*




(Roberto Roberti)

Meu amor
Pensa bem no que tu vais fazer
Um amor sincero igual ao meu
Hoje não se encontra mais

Meu amor
Tu não podes me abandonar
Eu que fiz teu coração feliz
Eu que te dei o que ninguém te soube dar

Meu amor
Se tu julgas que serás feliz
Me deixando aqui sozinho assim
Eu te deixo partir

Não, não, não, não amor
Dos meus braços tu não sairás
Se tentares me abandonar
Nem sei do que serei capaz

(Orquestra!)

*De tanto cantar foxes, Nelson Gonçalves terminou escolhendo um deles como prefixo para um de seus programas radiofônicos. O selecionado foi "Dos meus braços tu não sairás", gravação de 1943 que segue a linha dos foxes-canção e prima pela envolvente melodia.

Por pouco, a letra (apesar do grande charme) não vira só Complemento. Autoria do compositor carnavalesco Roberto Roberti ("Aurora", "Abre a Janela", "Isaura"), que também fazia música romântica sob encomenda para o chamado "meio-de-ano".

Até hoje, sucesso permanente no repertório do Rei do Rádio. Bons anos atrás, Nelson pegou a Gal... Mentira! Eles regravaram a música, em dueto. E só. Ficou gostoso - que nem as belas pernocas da foto. Vai dizer

cAMISA dE vÊNUS - eNIGMA (1987)

eTERNAMENTE nELSON - eSPECIAL & rEGISTROS rAROS


*A Sony&BMG já tá anunciando o lançamento do DVD Eternamente Nelson no Youtube

pROCURA-SE: aBIGAIL 2*



*O Cantor das Multidões novamente sai atrás da "perdida" Abigail nessa regravação (em hi-fi) feita em 1966. Repare na pontuação - mui típica - de Orlando ao pronunciar o nome da sumida amada....

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

mARIA e mAIS nADA*



(Chico Xavier)



Ninguém se conforma c
om a vida que tem
Quem é gente bem q
uer ser bem demais

Questão de querer
até dos pequenos
O pobre quer menos o
rico quer mais

Eu sou diferente: e
u tenho saúde
E a grande virtude d
e viver sempre bem

No meu barracão,
Maria me adora
Maria só chora s
e eu choro também

As seis da manhã, Maria me chama
Café vem na cama e
um beijo feliz

Até no trabalho e
u penso em Maria
Quem diz que é mania n
ão sabe o que diz

Não fale em conforto
, já sou confortado
Maria ao meu lado, o
resto é barbada

Sou muito modesto
, além da alegria
Só quero maria,
Maria e mais nada

aDELINO mOREIRA


Quando ela passa, florindo a calçada, assim perfumada, divina no andar. Não há quem não olhe, e quem não repare. Não há quem páre pra vê-la passar. Por sobre a calçada, pisando macio...

Pecado ambulante (a "Garota de Ipanema" da boemia)



*Visite o site em homenagem ao grande Adelino Moreira

eNIGMA*



(Adelino Moreira)

Quis conter-me mas não pude
Revoltado com a atitude
Dessa gente "original"

Que pensa ser incomum
E julga todos por um
E prega sem ter moral

Insensatos pregadores
Esses cruéis degradores
Agem quase sempre assim

São imbecis personagens
Molares das engrenagens
Que vão roubá-la de mim

Nas suas opiniões
Eu tenho dois corações
Cada qual amando mais

Diz alguém mais "entendido"
Que eu tenho um só dividido
Em duas partes iguais

Não os temo e nem me assusto
Mesmo sabendo que o justo
As vezes paga pelo pecador

Pois quem não deve não medra
Que atire a primeira pedra
Quem não errou por amor


Durante sua existência breve, o Camisa de Vênus fez rocks incendiários com duas canções de Adelino Moreira: "Negue" - no álbum editado em 1983 - e "Enigma", cuja letra bem poderia ter sido escrita por Joe Ramone.

Num bate-papo telefônico com Marcelo Nova (sobre outra praia, na verdade), hoje pela manhã, aproveitei para perguntar porque, na sua opinião, uma dupla consagrada como Adelino Moreira & Nelson Gonçalves não desfruta o tão alto prestígio de outros "monstros sagrados" da MPB.

Disse apenas o que eu já desconfiava.

Para Nova, ambos são muito, mas muito relegados no Brasil. Ainda mais, face a grandeza de suas respectivas obras. Os formadores de opinião (especializados em música) nem dão bola: "O Brasil é o país das 'tchurmas'", descasca.

Portanto, nunca é tarde pra lembrar que, entre os 60 e os 70, a arte de Nelson Gonçalves passou a ser nivelada por baixo pela "crítica especializada". Isto é: foi jogada, simplesmente, na vala comum dos expoentes por excelência ditos "populares". Tipo, como se fosse pecha.

Alguns, em análises dos anos 80 e 90, tiveram coragem de afirmar que a "cafonice" da música brasileira (fenômeno 'Boquinha da garrafa', por exemplo, publicamente execrado pelo Metralha) tinha raízes plantadas e perpetuadas por Nelson Gonçalves...

Marcelo Nova aproveitou e deu sua alfinetadinha nos engravatados que ainda ocupam postos majors, no Brasil. Nas suas palavras - "Presidentes de Gravadora". Quando o assunto é música, uns totalmente sem-noção:

"Eles adoram uma deferência. Mas pergunta pra qualquer um deles qual era a banda que acompanhava o James Brown nos anos 70? O único que tinha cultura musical era o André Midani (que iniciou carreira na gravadora Decca, em 1952). Hoje os caras só conhecem os confirmados, e olhe lá!"

Agora ouça "Enigma", na voz de Nelson Gonçalves

A sátira que o Camisa fez de "Negue" tem como alvo, na verdade, a irmã do Caetano - cujo nome Nelson inspirou - e sua (ainda mais dramática) intepretação. Nos primeiros shows da banda, os roadies levavam pro palco uma boneca inflável apelidada de...Maria Bethânia



Pra fechar, os camisas - também chegados numas perdidinhas, que ninguém é de ferro - botam pra foder uma das suas ao vivo: "Ô Silvia, piranha!"

lÁ fORA o fRIO é uM aÇOITE*



(Adelino Moreira / Nelson Gonçalves)

Fica comigo esta noite
E não te arrependerás
Lá fora o frio é um açoite
Calor aqui tu terás

Terás meus beijos de amor
Minhas carícias terás
Fica comigo esta noite
E não te arrependerás

Quero em teus braços, querida
Adormecer e sonhar
Esquecer que nos deixamos
Sem nos querermos deixar

Tu ouvirás o que eu digo
Eu ouvirei o que dizes
Fica comigo esta noite
E então seremos felizes



*Nelson Gonçalves foi o intérprete majoritário do compositor português, naturalizado brasileiro, Adelino Moreira. Os dois também foram parceiros em mais de 20 canções - das mais de 370 que Nelson gravou do parceiro e fidelíssimo amigo.

Entre as quais, os hits gigantescos "Êxtase", "A volta do boêmio" e "Fica Comigo Esta Noite". Segundo me confessou Angela Ro Ro, foi a música que, regravada em seu segundo LP, Só nos resta viver (1980), alavancou de vez sua carreira.

Bem adequada ao estilo de Nelson - em razão das frases iniciais, que atingem partes mais graves de seu vozeirão -, em 1961 este samba-canção tomou o lugar de "Negue", outro mega-hit da duplinha, tanto no gosto popular como no dial das rádios de todos Brasil



"Meu vício é você" também acertou em cheio, com sua história de paixão por outra mulher da vida



Boneca de trapo, pedaço da vida
Que vive perdida no mundo a rolar
Farrapo de gente que inconsciente
Peca só por prazer, vive para pecar

Boneca eu te quero com todo pecado
Com todos os vícios, com tudo afinal
Eu quero esse corpo que a plebe deseja
Embora ele seja prenúncio do mal

Boneca noturna que gosta da lua
Que é fã das estrelas e adora o luar
Que sai pela noite e amanhece na rua
E há muito não sabe o que é luz solar

Boneca vadia de manha e artifícios
Eu quero para mim seu amor só porque
Aceito seus erros, pecados e vícios
Hoje na minha vida meu vício é você

Tema musical e título da produção estrelada por Helena Ramos e Rossana Ghessa, em 1980, "Fica Comigo Esta Noite", geralmente, é tocada como bolero - ritmo, aliás, ao qual adapta-se muito bem.

A sinopse do filme, naturalmente, uma pornochanchada:

"Guido é um alegre borracheiro que vive na Zona Norte de São Paulo. Campeão de bocha e zagueiro do time de várzea. Tem um mulherão em casa e uma adorável amante, Luci, para a qual montou uma casa. A outra grande alegria de sua vida é seu filho Dirceu, mas percebe que ele é um tanto" frágil". Guido desespera-se com a situação. Resolve então emprestar sua amante para fazer a iniciação sexual do filho, só que o inesperado acontece: os dois se apaixonam"

Pra não perder o embalo, do inesgotável gênio criativo de Adelino Moreira, música que Nelson Gonçalves gostaria que tocasse sempre que quisessem lembrá-lo: "Última seresta", de Adelino Moreira

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

nAQUELA mESA*



(Sérgio Bittencourt)

Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava estórias
Que hoje na memoria eu guardo e sei de cor

Naquela mesa ele juntava gente e contava contente
O que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto doi a vida
Essa dor tão doída não doía assim

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguem mais fala no seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele
Tá doendo em mim

*Jornalista e compositor, Sérgio Bittencourt, filho de Jacob Bittencourt - mais conhecido como Jacob do Bandolim, maior autor de choros do Brasil e um dos maiores tocadores de bandolim - compôs "Naquela mesa" para homenagear o pai.

Nelson Gonçalves emprestou sua voz e emoção e ela foi longe: primeiro lugar nas paradas da Bélgica (!). "Naquela mesa", de 1970, é homenagem emocionada do filho ao pai



Aos 10 anos de idade, Raphael Rabello, referência mundial do violão brasileiro, ficou perdidamente apaixonado pelo álbum Vibrações, de Jacob do Bandolim. E, também, pela técnica de Dino 7 Cordas, instrumentista que muitas vez acompanhou Nelson.

Rabello morreu precocemente (e tristemente) aos 32 anos, em 1995, e chegou a gravar "Naquela mesa" com o Boêmio



O cara era bom mesmo. Veja o que Paco de Lucia falou sobre ele:

"O melhor violonista que eu já ouvi em anos. Ele ultrapassou as limitações técnicas do violão, e sua música vinha progressivamente de sua alma, diretamente para os corações de quem o admirava"

A "Deusa da minha rua", de Jorge Faraj & Newton Teixeira - um dos standarts da MPB - é um dos melhores momentos de Nelson & Rabello juntos. No Olympia, 1992


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

sE eU fOSSE o gETÚLIO*




*Se Nelson fosse o Vargas olha o que ele mandava fazer... De Arlindo Marques Jr & Roberto Roberti, 1953. Letra que é diversão na certa

rENÚNCIA!*



(Renato Rossi/Wilson Martins)

Hoje não existe nada mais entre nós
Somos duas almas que se devem separar
O meu coração vive chorando e minha voz
Já sofremos tanto que é melhor renunciar

A minha renúncia
Enche-me a alma e o coração de tédio
A tua renúncia
Dá-me um desgosto que não tem remédio

Amar é viver
É um doce prazer, embriagador e vulgar
Dificil no amor é saber renunciar
(orquestra!)

A minha renúncia
Enche-me a alma e o coração de tédio
A tua renúncia
Dá-me um desgosto que não tem remedio

Amar é viver
É um doce prazer, embriagador e vulgar
Dificil no amor é saber renunciar

*Fox gravado às pressas por Nelson Gonçalves, lado A do compacto 34.948/RCA Victor, no dia 27 de maio de 1942, para substituir uma música que dara problema. Foi o primeiro estouro do "aspirante" cantor que, na ápoca, contava apenas um (1) ano de carreira.

Na sua versão original, os arranjos são de Carolina Meneses. O solo é de Luiz Americano e o acompanhamento "jazzy" foi feito por Benedito Lacerda e seu regional. Entre 42 e 43, "Renúncia" vendeu mais de 35 mil cópias.

Levando em conta a inexorável falência do velho modelo de produção discográfica, atualmente, o número continua estrondoso. E, afinal, quantas famílias brasileiras, há 70 anos, curtiam toca-discos no aconchego do lar?

Big-bang! O timbre do mancebo Nelson é de vinte e poucos anos. Sucesso entre as gatinhas. Confira



Impressionado, o Barão Stuckart convida o Metralha para ser crooner no Cassino Copacabana Palace Hotel. O salário: 9 contos de réis por mês. Um "tutu" daqueles!

A sensação é tanta, nas rádios e lojas de discos, que Renúncia" vira marchinha de carnaval. Essa é uma gravação rara, direto de um velho compacto 78 rpm



Em 1989, no álbum de duetos Nelson Gonçalves & Convidados (com Elizeth Cardoso, Lobão, Gal Costa), o astro voltou a regravar "Renúncia", dessa vez com outro peso-pesado, literalmente, só que de outra tchurma musical - Tim Maia.

Encontro, ou melhor, trombada que resultou numa peça novinha em folha. Duelo de vozeirões como poucos até hoje na MPB. E, a orquestra, matadora. Produção de José Milton, homem que trabalhou com o Metralha em muitos discos e outras empreitadas



No fim da vida, Nelson ainda deu nova plástica à grande estréia. E ficou very cool. Boa para com o broto dançar, de rosto coladinho...Mas nada de renúncia!


eSPANHOLA!*



(Benedicto Lacerda / Haroldo Lobo)



Espanhola!
Eu quero
Quero, quero, quero
Ver você sambar
(bis)

Joga fora a castanhola
Que eu lhe dou um pandeiro
Pra brincar

Não sou toureiro
Não pego touro à unha
Não fui a Catalunha
Mas já vi você dançar

Espanhola você dança muito bem
Mas eu quero
Quero ver você sambar

Espanhola!
Eu quero, quero, quero
Ver você sambar

Joga fora a castanhola
Que eu lhe dou um pandeiro
Pra brincar!!!...

*Verídica. Conta-se que Nelson Gonçalves teria trocado a moça da canção - big hit no carnaval de 1946 (minha avó, Nina, lembra até hoje) - por uma polaca que, assim como a tal espanhola, refugiava-se no Brasil fugida da Guerra Espanhola. Foi cair na conversa logo de quem...

Porém, após "levar o pé" do Metralha, ela migrou pro sul, precisamente, Porto Alegre. Lá, conheceu um "mulato boêmio boa pinta, bigodinho": Lupicínio Rodrigues, com o qual iniciou frutífera amizade.

Segundo relatou uma das filhas de Lupi, que hoje vive no Rio de Janeiro, a espanhola (cujo nome perdeu-se nas dobras do tempo) era quem lhe motivava escrever sobre as agruras enfrentadas por seus conterrâneos em combate.

"Ó Deus, se tens poderes sobre a Terra, deves pôr fim a essa guerra, e os estragos que ela faz", declama a letra do samba-canção de protesto "Dona Divergência".

Daí, portanto, a relação entre a popular marchinha (composta por Benedito Lacerda & Haroldo Lobo, baseada no relato do Rei do Rádio), Guerra Espanhola, Lupicínio Rodrigues e Nelson Gonçalves, seu interpréte.

Mais do que tudo, verdadeiro marco da "inteligentsia pop" carnavalesca - 62 anos atrás, hein?!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

nORMALISTA*



(Benedito Lacerda & David Nasser)



Vestida de azul e branco
Trazendo um sorriso franco
No rostinho encantador

Minha linda normalista
Rapidamente conquista
Meu coração sem amor

Eu que trazia fechado
Dentro do peito guardado
Meu coração sofredor

Estou bastante inclinado
A entregá-lo ao cuidado
Daquele brotinho em flor

Mas, a normalista linda
Não pode casar ainda
Só depois que se formar...

Eu estou apaixonado
O pai da moça é zangado
E o remédio é esperar

*Apenas um fetiche dos tempos do colegial...

dOLORES sIERRA*


(Wilson Batista e Jorge de Castro)

Dolores Sierra
Vive em Barcelona na beira do cais
Não tem castanhola
E faz companhia a quem lhe der mais

Nasceu em Salamanca
Seu pai lavrador, veio a maioridade
Pois quem nasce na roça
Tem sempre a ilusão de viver na cidade

Sua mãe chorou
No dia em que ela partiu
Pra conhecer Dom Pedrito
Que prometeu e não cumpriu

Com frio e com sede
Só na sarjeta
Sorriu para um homem
E ganhou a primeira peseta

O navio apitou
Paguei a despesa, história se encerra
Adeus Barcelona, Adeus
Adeus Dolores Sierra

*Dolores Sierra, mais uma "perdida"

domingo, 25 de janeiro de 2009

aBIGAIL*


Em 1947, considerado o "último grande ano" da voz de Orlando Silva, o Cantor das Multidões deixou registrada "Abigail" (Orestes Barbosa/Wilson Batista), pequena fortuna musical sobre o pranto do homem à procura do amor "perdido nos cabarets": Abigail...

"Uns dizem que procuro por Alice, que tolice. Alice já tem outro sofredor. Uns dizem que é Isaura, que é Judith, é só palpite. Porque ninguém conhece o meu amor", rima a fabulosa letra de Wilson Baptista e Orestes Barbosa.

Na límpida voz de Orlando Silva:



Em 1952, um tanto mais solene que Orlando, Nelson Gonçalves interpretou "Abigail" - ao vivo - na Rádio Nacional. Gravação que é raridade e beira à perfeição. E que letra!

n'ALGUMA mANCHETE dOS aNOS 50...*


Nancy Montez diz que Nelson tentou matá-la

RIO, 13 (FOLHA) - A vedeta Nancy Montez acusou seu ex-companheiro Nelson Gonçalves de ter tentado matá-la a tiros. O cantor, que recentemente esteve envolvido com a Polícia por haver espancado a cantora Lurdinha Bittencourt, foi chamado para depor. Nancy, na Delegacia de Segurança Pessoal, disse que abandonou Nelson "por motivos que esclarecerá, se for necessário", e que o cantor insistiu para que voltasse a viver com ele. Um dia - continuou - Nelson tentou invadir seu apartamento. Mais recentemente, atirou contra ela. Os depoimentos do cantor deverão ser tomados hoje.

*

RIO, 19 (FOLHA) - O cantor Nelson Gonçalves, acusado de tentativa de homicídio contra a vedeta Nancy Montez, sua ex-companheira, será ouvido, hoje, pelo delegado José Marques, da Segurança Pessoal, afirmando o seu advogado, sr. Leoncio Vasconcelos, que "Nancy será processada por calúnia se não provar as acusações feitas a Nelson".

Falando à reportagem, Nancy afirmou que "tudo não passa de 'fofocas' de advogados", informando que "o meu advogado Henrique Melman aproveitou-se de uma assinatura em branco para fazer a acusação contra Nelson, que sempre me tratou muito bem".

*

Nelson Gonçalves nega atentado

RIO, 21 (FOLHA) - Afirmando que o seu único desejo é "gozar bem a vida", Nelson Gonçalves negou qualquer atentado contra Nancy Montez, ao comparecer ontem à Delegacia de Segurança Pessoal, atendendo à interpelação motivada pela quiexa da atriz e segundo a qual o cantor pretende assassiná-la.

Nelson disse mais que não quer complicações, pois tem filhos para criar e em breve será avô. Quanto a Nancy, "nunca lhe dei motivos para reclamações, pois sempre a tratei muito bem", ressaltou.

O cantor refutou ainda a acusação de que teria depredado o apartamento da vedeta, na Rua Rodolfo Dantas, 110. Informou que tomara conhecimento em Recife, onde se encontrava então, da queixa apresentada por Nancy à Polícia.

Após ouvir Nelson Gonçalves, o delegado de Segurança Pessoal determinou que sejam tomados os depoimentos de Elza Ribeiro e José Fernandes, citados pelo advogado da atriz como testemunhas de tentativa de agressão. O cantor afirmou desconhecer ambas as testemunhas.

*As reportagens da época passam batido pelo nome do paraibano Roberto Luna, na verdade, pivô do escândalo acompanhado em pormenores pelo público nos jornais e revistas de fofocas. Mais do que simples comparsa de Nelson, por lendárias noitadas etílicas na ponte aérea Rio-São Paulo, Luna tem lugar destacado na galeria das vozes "dó-de-peito". Pena que seja tão pouco (ou nada, temo dizer) lembrado pelas novas gerações.

Artista contratado da Rádio Guanabara, Luna também foi crooner nas emissoras Globo, Mayrink Veiga e Nacional. Foi aos seus cuidados - por conta de uma excursão que teve de fazer ao nordeste - que Nelson confiou a desejada cubana Nancy Montez (ardente caso que mantinha fora do matrimônio com Lourdinha, na época).

Nancy, vedete-atriz ("Com jeito vai" é um dos filmes que estrelou, em 1957) não conhecia ninguém no Brasil. Mas Luna realizou a segurança da moça como rezou o figurino: não deixou-lhe só de jeito algum... Deu no que deu. O Metralha ficou louco de ciúmes - o ego de macho latino, mortalmente ferido.

Interpretando, o astro Nelson Gonçalves podia expressar, nas
mais variadas matizes, as dores do amor. Só que, na vida real, a coisa era bem diferente: o Metralha, previsivelmente, jamais per mitiria ser trocado por outro homem. E, quanto mais, um "concorrente". Amizade & camaradagem, contudo, prevaleceram no final (quase trágico) do enredo.

Essa fina bolacha em 45 Rotações, de 1957, saiu pela Odeon, cujo lettering tem assinatura caprichosa do artista César G. Villela. Luna canta "Molambo", autoria de Jaime Florence e Augusto Mesquita. Os fonogramas são cortesia do excelente blog Bossa Brasileira.

A propósito: Roberto Luna continua vivo, na ativa, e com o bom humor dos velhos tempos. Só não sei se anda pegando como antigamente...Alguém duvida?! Olha o vozeirão


fRAME a fRAME

A Walverdes é uma das bandas que circulam com maior desenvoltura pela cena independente brasileira. Três álbuns lançados – Walverdes (1996), Playback (2001), Anticontrole (2003) e o EP 90Graus – e conhecidos em todo o país pela intensidade dos seus shows, eles inovaram no jeito de fazer videoclipe.
Dirigido por Claudio Veríssimo, o clipe da música "Seja Mais Certo", do disco Playback, foi editado a partir de 8 mil fotos digitais montadas artesanalmente, frame a frame, no computador: "O segredo foi manter a calma e não comprometer o som da banda", conta o guitarrista Gustavo "Mini" Bittencourt. Segundo Mini, a produção deu um trabalho do cão. A criatividade e a simplicidade do trabalho, porém, surpreendem.
A Walverdes faz muitos shows Brasil afora, está sempre envolvida em projetos paralelos, participa de coletâneas e tem uma vida própria. Fora isso, Mini, que é publicitário, ainda leva o Tosco Solo Project, onde se aventura no terreno da música lo-fi. O baixista Patrick Magalhães é dono da grife de rock Mono. Aonde arrumam tempo para as suas vidas? "Não tem muito mistério. Tem vezes que a banda vira trabalho e, outras, que o trabalho vira diversão. É bom para variar", diz o guitarrista.
Na opinião de Mini, o rock brasileiro vive uma fase interessantíssima – a tecnologia facilitando a produção e a divulgação e, o mais importante, a comunicação entre as pessoas e as bandas: "Experimente entrar numa máquina do tempo, voltar anos atrás, juntar um monte de indie numa sala e dizer: 'Daqui a 15 anos vocês vão poder fazer turnês pelo nordeste, centro-oeste e haverá festivais enormes só de bandas independentes'. Iam rir de você. Mas aconteceu".
Na entrevista a seguir, Gustavo Mini falou sobre o seu trabalho solo, o novo disco da Walverdes, filosofia budista e destacou algumas canções, leituras e roteiros de filmes e de viagens. Antes assista ao clipe de "Seja Mais certo".

[[DESORIENTAÇÃO]] O nome Walverdes é uma citação ao filme Comando Para Matar (Commando, 1985). Nele, Arnold Schwarzenegger interpreta um coronel aposentado que vê sua filha ser seqüestrada por um ex-ditador latino-americano da fictícia República de Valverde. Que referência é essa? E porque o "V" virou "W"?
Mini – Era uma piada interna da turma do prédio onde eu e o Marcos (baterista) morávamos. Uma história muito longa... o "W" no lugar do "V" porque fica mais chique, muito embora hoje o "V" esteja mais em evidência devido aos holofotes do mundo estarem voltados para os mercados emergentes. Nos demos mal.

[[DESORIENTAÇÃO]] Duas câmeras digitais registraram o show de lançamento do disco Playback, em setembro de 2005, no Garagem Hermética, em Porto Alegre. As imagens captadas estão guardadas e devem virar um DVD. É o que diz a lenda. Isso vai acontecer? Pra quando?
Mini – Não lembrava disso. Nem sei direito. Existe isso mesmo? Pois é... não lembrava. Deve ser coisa do Cláudio, que dirigiu o nosso clip. Ele já filmou a gente bastante, mas fica guardando essas imagens na vã esperança que um dia viremos rockstars.
[[DESORIENTAÇÃO]] Tem um novo disco da Walverdes engatilhado?
Mini – Temos oito músicas novas prontinhas pra gravar. Devemos gravar em abril, uma vez que o Marcos está morando em São Paulo e o estúdio em que íamos gravar fechou agora no verão. Mas em abril a gente grava, mixa, masteriza e na sequência lança.
[[DESORIENTAÇÃO]] Qual o melhor show e o mais caótico que a banda já fez?
Mini – Muitos bons shows e acho que cada um de nós tem seus prediletos. Mas eu posso falar sem medo de errar a respeito dos shows que a gente fez em Belo Horizonte com a MQN, do show no Campari Rock, dos shows no Goiânia Noise, dos antigos shows no Garagem Hermética, das Noitadas Monstro no Dr Jeckyll, de shows na Funhouse em SP, o show no Porão do Rock, o show do Studio SP antes do Campari Rock – no qual o Danny, batera do Supergrass, dançou o show inteiro. Nesse show só tinha jornalistas e o Danny...
[[DESORIENTAÇÃO]] O que anda armando em suas aventuras solo?
Mini – Tenho músicas pra um show inteiro e vontade de tocá-las ao vivo, mas não sei ainda em que formato e nem quando. Nenhum plano definitivo, apenas continuo fazendo músicas em casa no violão que sabe-se lá quando vão ver um palco. Ano passado eu gravei cinco delas com o Julio Mairena em São Paulo e ficaram ótimas, mas não sei como tocá-las ao vivo. Tentei tocá-las, eu ele e um laptop, mas não tenho muito a manha...
[[DESORIENTAÇÃO]] Você tem um programa de rádio em que fala de novas bandas independentes brasileiras. O que destaca de legal?
Mini – Eu parei com o programa em abril do ano passado por falta de tempo. E como também viajamos menos em 2007, estou menos ligado e estou meio aéreo. Prefiro não dar fora.
[[DESORIENTAÇÃO]] A qual tradição do rock a Walverdes gostaria de se ver incluída?
Mini – À tradição das bandas que continuam tocando.
[[DESORIENTAÇÃO]] Um epitáfio pra banda:
Mini – "Vim, vi e venci" – apesar de estarem nos devendo aquele cachê ainda.
Três em três:
FUZZ SONGS
“Golden Gaze” (Ian Brown)
“I wanna be your dog”(Stooges)
“Rollin 'n' Scrachin” (Daft Punk)
ETERNAMENTE JUVENIS
Nevermind (Nirvana)
Revolver (Beatles)
Golden Greats (Ian Brown)

REALMENTE FODA
Pastoral Americana (Phillip Roth)
Na Natureza Selvagem (John Krakauer)
O Mito da Liberdade (Chogyan Trungpa)
ROTEIROS CINEMATOGRÁFICOS
Os Bons Companheiros (Martin Scorcese e Nicholas Pillegi)
Os Trapaceiros (Woody Allen)
2001 – Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick)
ROTEIROS DE VIAGEM
Barcelona, Florianópolis e Porto Alegre
MUSAS
Chagdud Khadro, uma grande mestra budista
Lucia e Stella, minha mulher e minha enteada, que me abriram os olhos pra vida
CARAS QUE SÃO "OS CARAS"
Gandhi, Dalai Lama e Dzongsar Khyentse Rinpoche
COISAS QUE FARIA SE O MUNDO ACABASSE HOJE
Ficaria com minha mulher e minha enteada, ligaria pros meus pais pra dar tchau e meditaria um pouco

sELEÇÃO dE oURO - vOLUME 2*


*Segundo da série Seleção de Ouro, compilações (5 volumes) editadas durante o recesso criativo de Nelson Gonçalves no showbiss. Oito anos, portanto, a serem subtraídos de uma já portentosa discografia. Que, ao todo, soma mais de dois mil registros fonográficos - sempre é bom sublinhar.

Esse volume, cuja maior parte das músicas é de 1960, abre com uma excessão no repertório: "Eu sei que vou te amar" - das poucas concessões que, em 60 anos de microfone, o cantor fez à bossa nova.

A canção de Tom Jobim (que parece feita sob encomenda pro Reio do Rádio) nessa versão ganha vívida interpretação. Sem afetações, como de costume



Já o sambolero "Fantoche", composição de Adelino Moreira, tem um português imaculado e uma atmosfera sobrenatural. Culpa do amor, como sempre e até hoje...



Quanto mais longe dos teus olhos meu amor
Mais me atordoa o calor desta paixão
Estava certo em sua frase o inventor
Longe dos olhos e perto do coração

É na distância que dói mais a dor do amor
E se esse amor não foi apenas amizade
A gente chora a nossa mágoa, a nossa dor
Num labirinto de tristeza e de saudade

Tenho em meus olhos a visão da tua imagem
Sou um fantoche que a solidão apavora
Tento abraçar o teu vulto e é só miragem
Me atormentando dia e noite a toda hora

De te distante vivo triste e a meditar
Nos separamos mas não posso compreender
Porque razão choraste tanto ao me deixar
Porque razão eu chorei tanto ao te perder

sábado, 24 de janeiro de 2009

sELEÇÃO dE oURO - vOLUME 4


Tortura Mental



*As compilações Seleção de Ouro foram editas entre o final dos anos 50 e metade dos 60 - fase em que Nelson andava a chafurdar fundo na lama... As coletâneas cobriram o período que ficou afastado dos estúdios, sem gravar, metido no meio da malandragem.

Porém, como o Metralha foi sempre campeão de fôlego (e de registros em estúdio), elas sobravam das outras sessões.

Dessa seleção dourada, destaque para "Tortura Mental", verdadeiro manifesto de desbragada paixão. Muita atenção ao tonitroante
órgão que dá acompanhamento trágico à cantilena.

O cantor deve ter achado irônica a inclusão de "Natal Branco", onde ele canta com o Trio de Ouro, ao lado da esposa Lourdinha Bittencourt. Primeiro, por causa da letra metafórica - depois: neve no Natal brasileiro?!

Outra preciosidade da coletânea é a divertida "Canção do Rouxinol (Ci-Ciu-Ci)". O Metralha bandeia seu poderoso vocal pelo ritmo quente do mambo!

o bARQUINHO*



*Maysa, o sangue da bossa

eSTAÇÃO dA lUZ, dEPOIS dA mEIA-nOITE*






(Herivelto Martins/David Nasser)

Estação da Luz, depois da meia noite
Uma tragédia em cada rosto refletida
Passam vidas pelas ruas, passam lágrimas
No silêncio da cidade adormecida

Estação da Luz, depois da meia noite
Em cada esquina uma sombra indefinida
A chuva na calçada, o vento frio
E os meus olhos encontram os teus, desconhecida

Quem és? De onde vens? Mulher estranha
Onde foi que eu te vi? Onde me viste?
Quem te ensinou meu nome? Quem te disse?
Que houve alegria no meu rosto, agora triste

Mas de repente, eu me lembro que em meus braços
Deu-me o seu beijo de primeiro amor
Depois a vida caminhou, fracasso
Por ter o velho tempo, professor

Estação da Luz, depois da meia noite
Uma tragédia em cada rosto refletida
Dois estranhos que se afastam, a chuva cai
No silêncio da cidade adormecida...

*Tango: tragédia moldada em sua "fôrma" mais sofisticada. No mesmo long-play no qual canta as desventuras do homem apaixonado, em "Estação da Luz", Nelson Gonçalves comprova porque - também - foi o imbatível intéprete do gênero no Brasil, desde sempre.

Nelson narra outras elegantes tragédias, como "Vermelho27" (jogatina) e causos com explícito grau de erotismo, "À meia luz". Méritos letrísticos de Herivelto Martins e do jornalista David Nasser, dupla que verteu o estilo com maestria no país do samba.

Hits que a voz do Metralha irradiou para los hermanos, uruguaios e argentino, nos anos 50. Sucesso que a contemporânea Maysa também conheceu.

Ouça alguns desses embalos platinos, logo mais abaixo. Depois curta a interpretação máxima (aos 60 anos!) de Nelson - "Carlos Gardel", uma das gemas do DVD Eternamente Nelson (Sony&BMG), especial de gala registrado pela Globo, em 1981, que ainda tá na prensa. Linda peleja entre sentimento X diafrágma

À meia luz




Vermelho 27



Palhaço



Carlos Gardel




sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

bUQUÊ dE mELODIAS (1958/lP)



1958

RCA Camden
CALB 5280


Dos meus braços tu não sairás
(Roberto Roberti)

Aquela mulher
(Cícero Nunes)

Normalista
(Benedito Lacerda - David Nasser)

Deusa do Maracanã
(Jaime Guilherme)

Tantos anos
(René Bittencourt - Nelson Gonçalves)

Juramento falso
(J. Cascata - Leonel Azevedo)

Renúncia
(Mário Rossi - Roberto Martins)

Comentário
(Nóbrega de Macedo - Dario de Souza)

Segredo
(Marino Pinto - Herivelto Martins)

Errei... erramos
(Ataulfo Alves)

Quem mente perde a razão
(Zé da Zilda - Edgar Nunes)

Última seresta
(Adelino Moreira - Sebastião Santana)

Ouça "Segredo"

dEPRÊZINHA cLÁSSICA

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

mAYSA sINGS sONGS bEFORE dAWN (1961)*



To the end of the earth



*A "fossa nova" "To the end..." não está em Song Before Dawn, mas é boa pra lembrar quanto Maysa também tinha uma voz doce. A face solar da cantora. Na capa, Maysa posa pra lá de misteriosa. Jovem e intrigante. Sexy e gatona. Fofucha e ultra-pegável. Bem escreveu Manuel Bandeira: "Os olhos de Maysa são dois oceanos não-pacíficos"...

tOP oF tHE pOWER - mARINA



(Dorival Caymmi)

Marina, morena, Marina você se pintou
Marina você faça tudo mas faça o favor ...
Não pinte esse rosto que eu gosto
E que é só meu

Marina, você já é bonita com o que
Deus lhe deu

Me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar

Eu já desculpei tanta coisa
Você não arranjava outro igual
Desculpe, morena, Marina
Mas eu tô de mal

Eu tô de mal com você
Eu tô de mal com você
Eu tô de mal com você

xINGA!*


Televisão

Não vou ao Faustão, onde sobra espaço para coisas como Falcão fazerem sucesso. Que sujeito é aquele? E Mamonas Assassinas, isto lá é nome de um grupo? A boa música está em baixa na TV brasileira

Xuxa

"Se eu me candidataria a pai do filho que ela quer ter? Não. Você acredita realmente que ela queira ter uma crianca?"

Mike Tyson

"Não há lutador no mundo para enfrentar esse sujeito. O Frankie Bruno (que o enfrentou em março de 1996) sairá morto do ringue"

Gays

"Eles não dão em cima de mim, senão eu dou pancada. Quanto a mulheres, eu nao bati, açoitei. Mas só quando diziam: Bate querido"

Angela Maria

"A carreira dela foi comprometida pelos homens. Uma vez assisti a um show em que ela falou para o público: Eu tenho 55 anos e aqui está o meu namorado de 25. O que é a vaidade feminina..."

Frank Sinatra

"Ele é muito melhor do que eu. Não sou um fenômeno, sou um cantor como outro qualquer"

Elba Ramalho

"Quando gravei com a Elba ela chegou no estúdio de shortinho. Passei a mão na coxa dela, que ficou surpresa. Eu disse: "Calma, é puramente profissional!"

Próximos discos

"Em março lanço um com cancoes de Paulinho da Viola, Isolda e Carlos Cola. Tenho um projeto para um outro com cancões em inglês, italiano e espanhol. Quatro em cada lingua"

Cantores

"Vou gravar uma música do Mauricio Mattar. A voz dele é pequena, mas ele, o Fabio Jr. e o Zé Augusto interpretam da forma ideal, respeitando a acentuacao das palavras. Prefiro o Falcão ao Ed Motta por causa disso e, apesar de reconhecer a voz do Caetano, não gosto da sua forma de ler a música. O Emilio Santiago pode ser uma grande voz, mas deixou a emocão em casa"

*Depoimentos ao JB em 1996

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

sE vOCÊ pENSA*




*Curte só o que a Maysa fez com o Robertão. Show do retorno - Canecão, 1969. Acompanhamento de Paulo Moura & sua Orquestra

tRÊS aPITOS*



(Noel Rosa)

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você

Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
Ou está interessada
Em fingir que não me vê

Você que atende ao apito
De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito tão aflito
Da buzina do meu carro?

Você no inverno
Sem meias vai ao trabalho
Não faz fé no agasalho
Nem no frio você crê

Mas você é mesmo
Artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você

Nos meus olhos você vê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente impertinente
Que dá ordens pra você

Sou do sereno

Poeta muito soturno
Vou virar guarda noturno
E você sabe porque

Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Estes versos pra você


*Nelson Gonçalves & seu aveludado trinido

pREZABILIDADE

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

mAYSA & gAL*



*Brotinho em flor... Fantástico! 1975

mEGAPREZABILIDADE

o éBRIO - vICENTE cELESTINO

mARIA bETHÂNIA



*Em 1945, Caetano Veloso era criancinha quando ouviu irradiar "Maria Bethânia" do AM de sua casa, música de autoria do recifense Capiba. Achou o nome e a melodia tão bonitos que sugeriu à mãe que o pusesse na irmã, ainda em gestação. Graças ao pequeno Caetano, portanto, a menina não foi marcada com outro nome: "Mary Gislaine". Já crescidos, o gaúcho e o baiano duetaram o inspirador número no álbum Nelson Gonçalves & Convidados (outro Big Hit). Presenças do naipe de Elizete Cardoso, Chico Buarque, Martinho da Vila, Gal Costa e... da Bethânia em pessoa!

Ps: Foi também a música que Nelson apresentou para Frank Sinatra no RJ, para exibir o famoso "ré-gravíssimo" que o old blue yes tanto queria ouvir. No Radio City Muscic Hall - encontro furtivo no qual dividiram "Garoto de Ipanema, nos anos 60 - segundo revelou o produtor José Messias, Sinatra não tinha ficado satisfeito com aquilo: a canção de Jobim não exigira de Nelson sua plena extensão vocálica...Nelson atacou de "Maria Bethânia" e deleitou o the voice. Ouça e admire-se. Forever

hISTÓRIA dA lAPA



*Samba malandro no qual Nelson cita velhos compadres de vagabundagem na Lapa dos anos 40, como Camisa Preta, Meia-Noite, Edgard e Miguelzinho. Foi na Lapa que Nelson surrou o temido bandido Miguelzinho (fato que entrou pros anais da Boemia) e, como testemunha, teve Madame Satã. Nelson e Milguelzinho tornaram-se amigos depois. O "pugilista-cantor", como ficou conhecido na praça, ganhava a vida como gigolô e "apartando brigas de americanos bêbados" , como ele mesmo disse, nos inúmeros e festivos cabarets da região

fREE cLASSICS







nG tOMA pÍLULA dE aSTRONAUTA e gRAVA aTÉ 2020

Folha da Tarde - 21/12/1995

Revoltado com o desprezo e a falta de memória que o Brasil reserva a seus ídolos, o cantor e compositor Nelson Gonçalves decidiu: "Quero ser cremado, pra niguém fazer xixi na minha lápide".

Aos 76 anos, ele está de volta para lançar a caixa "O Mito", com três CDs, reunindo 71 sucessos em gravações originais realizadas no período de 1941 a 1990.

Apesar de ser dono de uma das mais gigantescas obras musicais da história do país, Nelson não pára. Diz que tem material preparado para lançar 25 LPs, entre velhas e novas canções - forma de garantir o futuro da família. Seu projeto é lançar um por ano.

Leia a seguir trechos de sua entrevista exclusiva por telefone, do Rio, à FT.

*

FT - Por que essa preocupação em gravar tanto?

Nelson - Tenho dez filhos, oito adotivos, que vão se transformar em dez netos. Quero deixar uma força e uma herança musical. Quero que digam: meu bisavô ainda canta.

FT - Por que ninguém vai fazer xixi na sua lápide?

Nelson - Sempre vão existir as pessoas que te querem bem e as que vão te atacar. Por isso, ninguém vai depreciar a minha memória e fazer xixi na minha lápide não. Quero ser cremado.

FT - Como o senhor define sua voz?

Nelson - Sou baixo cantante, capaz de atingir tons gravíssimos. Deus fez a receita e rasgou quando eu nasci.

FT - Por que certa vez o senhor cantou "Castigo", de Lupicínio Rodrigues, depois de ser nocauteado por Éder Jofre no sétimo assalto?

Nelson - Foi só pra demonstrar força de vontade.

FT - O elogio de Frank Sinatra à sua voz é verdade ou uma lenda?

Nelson - Verdade... quando me apresentei no Radio City Hall, em Nova York. Ele chegou e disse: é impossível cantar como você.

FT - Qual a sua filosofia de vida?

Nelson - Viver e deixar viver.

FT - Qual o segredo para manter a forma aos 76?

Nelson - Dois comprimidos de ginseng por dia e cápsulas de astronauta para a renovação das células. Dá pra ficar firme e forte...

*Nelson Gonçalves interpreta "Castigo, de Lupicínio Rodrigues e "Depois de 2001", promessa que não deu pra cumprir...Mui sábia letra de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves.




Só pretendo morrer
Depois de 2001
E se deus do céu quiser
Sem inimigo nenhum

Nessas alturas
ninguém liga pro que eu digo
Sou velhinho boa praça
Todo mundo é meu amigo

O que eu fizer, o que eu disser
Tá tudo bem, mocidade ri de graça
Da graça que o velho tem

É no gogó, gugu
!

Só pretendo morrer
Depois de 2001
E se deus do céu quiser
Sem inimigo nenhum

(coro repete o refrão)

Para quem diz
que nada fiz

de extraordinário
Deixo coisas
muitas coisas

Que atestam
o contrário


Pra quem ficar

no meu lugar:
muito progresso


Pra que possa superar

meu recorde de sucesso

Só pretendo morrer
Depois de 2001
E se deus do céu quiser
Sem inimigo nenhum

dUELO dE tIMBRES



Maysa - Suas Mãos



Nelson - Suas Mãos



*Duas versões para "Suas Mãos", clássico da fossa cuja letra evoca saudade e sensualidade - ainda que bem ao "sabor subliminar" da época. Letra de Antônio Maria e Pernambuco. A interpretação de Maysa, de fato, vai fundo na dor enquanto o sofrimento do Metralha, por sua vez, apresenta a altivez de sempre...

Arranjos e interpretações de ambas, porém, do tamanho dos timbres e personalidades únicas de seus cantores. A foto de Nelson e Maysa (numa descontração noturna carioca, nos anos 50) que ilustra este post é uma relíquia de Marilene Gonçalves, filha do astro que vive no Rio de Janeiro. Essa nem o Jaiminho deve ter...

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