sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

iRREDUTIBILIZANDO

APLAUSO 110 nas bancas...

... e no Portal APLAUSO: 70 músicas do cancioneiro pop-gaudério disponíveis para download, com capa, encarte e informações exclusivas para que o internauta monte seus próprios discos

Na reportagem de capa de APLAUSO 110 ("Por favor, sucesso!"), o repórter Cristiano Bastos revela que nem sempre o Rio Grande do Sul é capaz de suportar o crescimento de artistas locais, especialmente quando se trata de rock-n-roll.

Desde antes dos anos 1960, muitas bandas buscam em São Paulo a fama e as vendas que o mercado gaúcho é incapaz de proporcionar. Estudioso do assunto, Bastos traz à tona um valioso debate mercadológico, ilustrado tanto por histórias de quem recém chegou à capital paulista quanto de quem foi e voltou – como a Bidê ou Balde, capa desta edição.

Para resgatar essa linguagem, APLAUSO também oferece aos seus leitores uma compilação, dividida em dois volumes (e um terceiro de extras), de arquivos históricos do rock rio-grandense. Idealizado e produzido por Cristiano (coautor do livro Gauleses Irredutíveis – Causos e Atitudes do Rock Gaúcho), o álbum Gauleses Irredutíveis Merecem APLAUSO pode ser baixado gratuitamente no site da revista: http://www.aplauso.com.br/.

Para que o leitor monte seus próprios discos, é só imprimir capa, contracapa e encarte (com informações de 70 músicas), desenhado com ilustrações feitas a partir de flyers de artistas e bandas de diferentes épocas do cancioneiro pop-gaudério.

Dos 70 fonogramas editados nesses dois álbuns, alguns são recém gravados, outros são inéditos ou foram colhidos quase diretamente em suas matrizes originais. É o caso de grande parte das canções e álbuns localizados entre as décadas de 1960/1970, cujas mastertapes, até hoje, jamais foram remasterizadas. É o caso de bandas como Os Brasas, Liverpool, Bixo da Seda e Os Cleans. Na medida do possível, Gauleses Irredutíveis Merecem APLAUSO procura coligar nomes que representam diversas “eras” da música jovem gaúcha.

Uma palhinha da coletânea...

Lançado em fita K-7, Último Verão, álbum de estreia de Julio Reny, apresentava o petit hit "Cine Marabá". A canção tocou bem nos primórdios da Ipanema FM, em Porto Alegre, e, tanto quanto, na extinta Fluminense, a "maldita", que irradiava os “venenos” de Niterói, Rio de Janeiro.

"Cine Marabá" é um dos fonogramas cedidos por Reny que foram reunidos na compilação "Gauleses Irredutíveis Merecem APLAUSO", com a qual a revista presenteia seus leitores.

A coletânea traz surpresas de artistas e bandas como Rosa Tattooada, Pupilas Dilatadas, Pública, Loomer, Júpiter Maçã, Os Replicantes, Yanto Latino, Os Cleans, Os Brasas, Conjunto Melódico Norberto Bauldauf e Lovecraft.

"Me Deixa Desafinar", novo single da Bidê ou Balde, é um dos hits do especial. Mimi Lessa, lendário guitarrista do Liverpool e do Bixo da Seda, hoje radicado no Rio, foi responsável pela liberação de duas gemas: uma delas é "Por Favor, Sucesso", o hino que dá nome a esta reportagem.

Outros destaques

El Mapa de Todos, agora no RS - Um dos extras da reportagem de capa de APLAUSO 110 já está publicado no Portal APLAUSO. Trata-se de uma entrevista com Fernando Rosa, editor do site Senhor F (http://www.senhorf.com.br/) e produtor do festival El Mapa de Todos, cuja segunda edição acontece entre 12 e 14 de abril em Porto Alegre. Na entrevista, Rosa faz uma profunda análise do panorama do rock independente sul-americano.

Outra entrevista exclusiva disponível no Portal APLAUSO é com o produtor paulista Leonardo Dias Pereira, que promove em São Paulo o "Urbanaque Apresenta", série de encontros roqueiros organizados pelo magazine eletrônico Urbanaque (http://www.urbanaque.com.br/). Em suas edições, o Urbanaque procura trazer bandas e artistas de fora de São Paulo, assim como do próprio rock.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

cOELHA bRANCA

Algumas pílulas te fazem crescer, outras te fazem encolher. E as que a sua mãe te dá não fazem efeito algum. (Grace Slick)

POR CRISTIANO BASTOS

Cena esquizofrênica do filme Medo e Delírio em Las Vegas, de Terry Gillian: esparramado na banheira louco de pedra, o narcotizado Dr. Gonzo (Benício Del Toro) implora a Raoul Duke (Johnny Depp) para que arremesse o toca-fitas na água quando a canção que ringe dos alto-falantes atinja o clímax.

O comando é imperativo: "Feed your head! Feed your head! – estrofes finais de "White Rabbit", música banida das rádios nortes-americanas, em 1967, por causa da apologia às viagens alucinógenas.

A voz que emposta potência e candura para cantar as aventuras de Alice in Wonderland, após ter lanchado  pílulas psicodélicas, é de Grace Slick, a bela, talentosa e politizada cantora e letrista do Jefferson Airplaine.

Em "White Rabbit", espécie de Bolero de Ravel embalado numa canção de ninar de movimentos circulares, um dos hinos da head music, Grace pincelou tonalidades ainda mais "dietilamídicas" à naturalmente lisérgica obra de Lewis Carrol.

Grace divide a autoria de "White Rabbit" com o irmão, Darby Slick, com o qual ela integrava o Great Society, banda que registrou a música antes do Airplaine.

Os irmãos Slick também assinam "Somebody to Love", peça sonora não menos simbólica que "White Rabbit".

São hits que fulguram no fundamental álbum do Jefferson Airplaine, Surrealistic Pillow, que marca o début de Grace nos vocais da banda da Costa Oeste dos Estados Unidos.

Musa do acid rock de San Francisco, Grace não foi a única fêmea talentosa da cena do rock psicodélico que prevalecia na Califórnia – e no mundo – no auge do Verão do Amor.

Mama Cass e Michelle Phillips (do Mamas and the Papas), Nico e Janis Joplin eram grandes vozes. Mas nenhuma delas juntava, tal Grace, intraduzível beleza, nata habilidade como songwritter e domínio sobre a complicada matemática construtora de canções pop e metricamente perfeitas.

O escritor gonzo Hunter Thompson sempre assumiu o fetiche por Grace Slick. Cansou de afirmar que música, além das estimadas drogas, sempre fora "combustível":

Pessoas sentimentais chamam isso de inspiração, mas o que elas realmente querem dizer é combustível. Isso acontece de novo, e de novo, e cedo ou tarde você é fisgado, e fica viciado. Toda vez que ouço "White Rabbit", estou de volta à meia-noite viscosa de San Francisco, procurando por música, dirigindo uma motocicleta vermelha veloz ladeira abaixo em direção ao Presidio, me curvando desesperadamente nas curvas através dos eucaliptos, tentando chegar ao Matrix a tempo de ouvir Grace Slick tocar sua flauta.

No rock dos anos 1970/1980, é clara a linha condutora que parte do estilo vocal de Grace Slick e influencia outras mulheres do rock: da chata (pra burro) Alanis Morrisete à chata (pra caralho) Dolores O'Riordan, da poetisa punk Patty Smith à runaway Joan Jett, todas reverenciaram – da melhor à pior forma – a força vocal de Grace.

Alcoólatra, vegetariana e defensora dos animais, com o fim do Airplaine Grace Slick encarou a insipidez do Jefferson Starship, cuja formação fora diluída numa enjoativa receita de hard rock ufológico e sintetizadores.

E o que ainda restara do Jefferson Airplaine reduziu-se à corruptela "Starship" e seu rock inofensivo, perfeito para rodar no easy listening boco-moco das rádios adultas.

A beleza e o charme de Grace Slick arrebataram muitos corações.

Apaixonado, o cantor folk Country Joe McDonald compôs a balada "Grace" em seu louvor.

Jim Morrison teve um rápido affair com ela encharcado em bourbon.

Em 1998, Grace confessou que, de todas as pessoas com quem sempre desejara ter um caso amoroso, só faltaram duas: o guitarrista Jimi Hendrix e o ator inglês Peter O'Toole.

Em 1994, após reclamações da vizinhança, um policial vai até a casa de Grace Slick, em Tiburon, Califórnia, conferir o que estava rolando. É surpreendido pela cantora completamente embriagada e por um cano fumegante apontado para sua cara.

A sentença de Grace foi estipulada em 200 horas de prestação de serviços comunitários. Ela também foi obrigada a comparecer aos Alcoólicos Anônimos durante três meses.

Hoje, Grace Slick jura que sua garganta dourada está longe da bebida. Mas o fabuloso canto de antes não se fez mais ouvir como naqueles dias - em que a vida era mais onírica e as cores pareciam vibrar com maior
intensidade.

gRAÇA

jEFFERSON aIRPLAINE lOVES yOU





segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

pSICODELIA à bRASILEIRA

A história do disco mais caro do Brasil, valendo até R$ 5 mil, é investigada em documentário

POR LEONARDO LICHOTE - O GLOBO

Rio de Janeiro - Inscrições rupestres misteriosas, mitos indígenas, boas doses de psicodelia, uma busca para reconstruir as obscuras origens de uma lenda da música brasileira…O roteiro tem elementos que parecem moldados para a ficção, algo como um Indiana Jones lisérgico.

Mas Nas Paredes da Pedra Encantada (visite o blog oficial), filme de Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim, é um documentário -  "road doc", como define Cristiano - que investiga a história do raríssimo disco Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, lançado em 1975.

- Há vários motivos para se falar de Paêbirú - defende Cristiano. - É o disco mais caro do Brasil, sua última cotação está entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, o dobro do Louco Por Você, o primeiro de Roberto Carlos (existe uma edição pirata, em vinil, de Paêbirú, lançada na Europa, mas que não vem com o livro que acompanhava o original, trazendo estudos sobre a região e informações sobre a lenda do Caminho da Montanha do Sol). Mais que a raridade, ele é o fundador de uma psicodelia genuinamente brasileira, com elementos da cultura indígena. E sua história tem toda uma mística. Das únicas 1.300 cópias da prensagem original, 1.000 foram perdidas numa enchente em Recife. Nunca vi uma história tão fantástica como a que circunda esse álbum.

Jornalista, Cristiano tomou contato com a fantástica história quando fez uma reportagem para a revista Rolling Stone sobre o disco. Quando percebeu que sua apuração poderia render um documentário, se lançou com Leonardo Bonfim na aventura de tentar reconstituir os fatores que permitiram o surgimento do álbum.

O termo "aventura" não é exagero.

Cristiano morou entre Pernambuco e Paraíba por três meses, investiu dinheiro do seu bolso no filme - atualmente em fase de montagem - e penou para encontrar seus personagens. Mais que isso, quase foi preso durante as filmagens:

- Estávamos na cidade do Ingá do Bacamarte (município da Paraíba onde se localiza a Pedra do Ingá, onde estavam as inscrições que serviram de estopim para o processo criativo que gerou o disco) quando a polícia nos abordou, com vários carros e armas apontadas para nós. Estava havendo uma onda de assaltos a bancos na região, e eles, vendo aquele grupo andando de um lado para o outro e fazendo ligações, acharam que éramos ladrões. Tivemos que ser libertados pelo prefeito, que já sabia do projeto e inclusive colaborou com dinheiro para as filmagens.

O filme - ao qual O GLOBO teve acesso exclusivo - traz entrevistas com personagens como os músicos Lula Côrtes e Alceu Valença (que toca no disco), o arqueólogo Raul Córdula (que apresentou a Pedra do Ingá a Lula e a Zé Ramalho) e a cineasta Kátia Mesel (companheira de Lula então e sócia dele no selo Abrakadabra, que lançou o disco).

As gravações registram muitos momentos musicais espontâneos e até cenas que reforçam as lendas em torno do disco.

- Cada lado do álbum duplo de Paêbirú tem um conceito: fogo, terra, ar e água. Cada um tem uma sonoridade. Fogo é o lado mais roqueiro, ar são músicas mais etéreas… No lado da água, tem uma parte que faz louvações a Iemanjá. No filme, quando Kátia Mesel canta isso, começa a chover - narra Cristiano, que alimenta mais um tanto a mística ao dedicar o filme ao deus Sumé (parte da mitologia de Paêbirú).

Zé Ramalho - que até hoje visita a Pedra e acredita que extraterrestres estão por trás de suas inscrições - não dá depoimento para o filme. Mas autorizou os diretores a usar todas as músicas para contar a história.

- Existe uma rusga entre Zé e Lula, e Zé preferiu não falar sobre o álbum. Mas todos no filme falam dele com muito carinho - nota Cristiano. - Apesar de negar a entrevista, Zé foi muito gente fina, fez um documento liberando a música… Só não queria ter a imagem dele hoje no filme. Ele pergunta por que não falaram do disco quando ele foi lançado (o álbum foi completamente ignorado na época). Aquilo foi muito decepcionante. Além de tudo, Zé Ramalho considera a obra que ele fez solo, posteriormente, muito mais importante. Como o disco tinha um aspecto coletivo, ele ali não tem o peso de ser o portador da mensagem, é só mais uma das vozes.

Mesmo antes da finalização, os diretores já receberam convites para apresentar o filme em festivais.

- Nosso desejo é estrear no É Tudo Verdade - diz Cristiano. - Seria ótimo também ter a exibição na TV, num espaço como o Canal Brasil.

Eles contam com a força da história. E os poderes de Sumé.




Pedra Templo Animal

Música e arranjo - Lula Côrtes & Zé Ramalho
Trompas marinhas - Lula Côrtes
Voz - Zé Ramalho
Okulelê - Zé Ramalho
Viola de 12 - Lula Côrtes
Sereias - Katia e Inácia
Percussão - Marconi, Israel, Agrício
Baixo base - Paulo Raphael
Coro - Alceu, Zé Ramalho
Letra - Lula Côrtes

sábado, 5 de fevereiro de 2011

lITTLE sUZY*

What's It Like To Be Loved (1976)


*Na gestação pré-Patty Smith/Debby Harry/Joan Jett, os primeiros anos da década de 1970, a mignonzinha Suzi Quatro flertou solitária num universo dominado por homens & suas guitarras.

Suzi, possivelmente, foi a primeira fêmea-de-frente do rock-and-roll.

Ao ser descoberta pelo empresário Mick Most, em Detroit, mulheres não existiam no comando das bandas (a que lhe escoltava era formada só por homens). Antes, porém, acompanhada das irmãs Patti, Nancy e Arlene, ela tocou seu baixo Fender Precision-1957 nas Pleasure Seekers.

Norte-americana, Suzi Quatro, literalmente,  invadiu a parada glitter européia com sua voz sexy e rouca, e arrematou alguns Top of The Pops ("Can the Can", "48 Crash", "Daytona Demon", "Devil Gate Drive).

Aggro-Phobia é o terceiro e, também, um dos melhores álbuns gravados por Suzy. Contém os hits de peso "Tear Me Apart", "Wake Up Little Suzy", "Make Me Smile" (cover de Steve Harley).

A dançante "What's It Like To Be Loved" antecipa a fórmula discothèque-rock aprimorada pelo Blondie no embalo de "One Way Or Another": guitarras sintetizadas, efeitos de voz e a indefectível bateria horizontal marchando sobre a melodia.

Padrão ainda muito emulado...

Mas o que é rock senão eterna reinvenção?

Over and over.

domingo, 23 de janeiro de 2011

20tH aVANT-gARDE mETAL

*A Marc Bolan Les Paul Gallery Les Paul está exibindo, na Namm Show (espécie de entidade filantrópica do rock), o modelo Gibson manejado por Marc Bolan em seu hit-mor:

"20th Century Boy". 

Guitarrista do T-Rex, Bolan morreu tragicamente num acidente de automóvel aos 29, em 1977.

Editada em março de 1973, no formato 7' single, foi registrada apenas para ser b-side de “Free Angel” - que não foi hit...

Erro feio de cálculo.

Produzida por Tony Visconti, “20th Century Boy” sucedeu nas paradas o single “Solid Gold Easy Action”, de 1972. Um ano depois, Bolan lançava “The Groover”.

As três canções não deixam dúvida do quanto, naqueles dias, Bolan apostava no estilo criado por ele: o “avant-garde metal”.

"20th Century Boy"

No Reino Unido, a música foi chart #3 e inclusa, também, como bônus-track no maravilhoso álbum Tanx. De inegável rítmica/compressão/balanço, seus trovejantes riffs tomam de assalto os ouvidos mais incautos.

Pega de surpresa até quem ouviu "20th Century Boy" dezenas de vezes.

Para a soundtrack do (exagerado) filme Velvet Goldmine - que joga mais purpurina que devia sobre o glitter rock -, o Placebo releu a canção numa versão anoréxica. 

Fac-simile sem nada de manha e sensualidade transbordantes do astro pop Marc Bolan.

Confira o 'suíngue maroto' de Bolan no televisivo holandês Muzik Laden (play it very loud!).

"20th Century Boy" ganhou versões de bandas como The Replacements e Siouxsie and The Banshees. Siouxsie, aliás, quase é uma versão feminina de Marc Bolan - da qual era fã desde meninota.

O Sigue-Sigue Sputnik fez uma corruptela: "21st Century Boy"

Em 1991, “20th Century Boy” voltou às paradas britânicas. Após ser usada num comercial da Levi's, entrou pro Top 20 inglês.

Estrelado pelo jovem, e totalmente  desconhecido, à época, ator Brad Pitt (veja-o), o comercial deu-lhe fama. 

Há quem diga: as locações são as mesmas do filme Thelma & Louise...

E os riffs de "20th Century Boy"?

São riffs tão simples (e poderosos!), que estão aí para dedilhar de aficionados nos milionários games Guitar Hero 5 e Rock Band Friends.

Para mim, facinho, facinho estrelariam um "3 mais" de todos os tempos.

Misteriosa, a letra é umas das melhores do cancioneiro rock-and-rol. Mas eu sou suspeito para falar. Ou melhor, para cantar: 

Friend say it's fine, friends say it’s good
Everybody says: it's just like Robin Hood
I move like a rat, talk like a cat, sting like a bee
Babe i'm gonna be your man
And it's plain to see you were meant for me, yeah!

Na Terra do Sol Nascente, (Marc Bolan é tão amado quanto Pelé no Japão), "20th Century Boy" se grafa com estes ideogramas:

"20世紀少年".

Cool, né?!

bRAD cENTURY bOY

domingo, 16 de janeiro de 2011

a (pLATINADA) vOZ dE jACKIE dEE


"Needles and Pins", cativante lovesong escrita originalmente por Jack Nitzsche e Sonny Bono (ex-Cheer), foi registrada pela primeira vez na loura voz da cantora Jackie DeShannon, para a qual especialmente fora composta.

Ano: 1963.



"Needles and Pins" é a típica canção de amor que as todas bandas "legais" um dia sonharam gravar.

Seduzidos pela sensual Jackie, The Searchers, Ramones e Turtles em estúdio materializaram suas próprias versões.

Versões ou poluções?

Na intimidade, quantos deles não sonharam com a petit blonde? Eu sonhei.

Deprimido, o guitar-hero do Led Zepellin, Jimi Page, para ela escreveu a doce-amarga "Tangerine". Está no disco Led II. Das mais lindas canções.

"Tangerine" é para Jackie, criada no amargor do coração partido de Page.

Curiosíssimo fato da "história do rock" (confirmado pela Sociedade Apreciadora de Jackie, nos EUA) aconteceu no Brasil:

O primeiro show de rock-n-roll feito no Brasil  (Teatro Record de São Paulo, 1957) - Rock-n-roll  Fantasy - contou com a púbere participação de Jackie Dee: uma lourinha de voz rouca de seus 17 aninhos...

No espetáculo, DeShannon imitava Elvis Presley com "energia atômica!", exclamava a divulgação do show.

O destino, porém, reservava para a ninfeta outro futuro: como talentosa (e respeitada) cantora e letrista. Jackie chegou compor para os The Byrds.

Como songwriter, seu maior sucessso é o hit megablaster "Bettie Davies Eyes".

"Betty Davies..."  foi feita sob-medida para a cantora Kim Carnes (expécie de alter-ego vocálico de Jackie) - é daqueles enormes sucessos dos 80's.

Pode ter certeza de que - em alguma vez em sua vida - a ouviste irradiando dalguma rádio flashback.

Ou melhor: umas centenas de vezes, talvez.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

eNGENHEIRO dAS eSTRELAS*

Carlos Maltz, ex-Engenheiros do Hawaii, é um astrólogo de sucesso em Brasília

POR CRISTIANO BASTOS -  REVISTA DO PARKSHOPPING

Inevitavelmente, ele sempre é comparado ao personagem criado pelo escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, O Analista de Bagé, conhecido por seus métodos psicanalíticos pouco ortodoxos, como a terapia do "joelhaço".

Mas Carlos Maltz está mais é para "filósofo pop".

O ex-baterista e um dos fundadores da popular banda Engenheiros do Hawaii (junto com Marcelo Pitz e Humberto Gessinger) agora atende em um confortável consultório em Brasília.

Sua especialidade? Astrologia e psicologia.

Maltz ficou na banda de 1985 a 1996, quando integrou a clássica formação conhecida pela sigla Gessinger/ Licks/Maltz. Farto do show business brasileiro, o judeu Carlos Maltz descobriu seu caminho ao se "converter" astrólogo, sua atual profissão de fé.

Em 1999, largou tudo e veio morar em Brasília com Ana Cláudia, sua atual mulher, com quem tem três filhas: Marianna, Rosana e Larissa. Em sua filosofia pop, Maltz, que também é psicólogo, afirma "beber em fontes junguianas, comer em mesas hollywoodianas e dormir em redes tropicalistas".

"Remixo R.E.M. com Jackson Pollock, Nietzsche com Zé Ramalho e sampleio as vanguardas artísticas, mas sem perder o trocadilho", diz.

Maltz, que nunca largou de vez as baquetas, diz que tudo ficou "alinhado" quando conheceu Brasília. Foi visitar um amigo que se mudara para a Capital Federal e aí... "Numa daquelas noites, sob o céu estrelado do Planalto Central, compreendi que mais uma etapa de minha vida havia chegado ao fim".

E do dia, ou melhor, da noite, ele se lembra bem: foi em 11 de agosto de 1999. "Dia do grande eclipse que marcou o início do período das transformações mais radicais a que nosso planeta assistiu".

Na cidade, abriu um consultório de astrologia e passou a dedicar-se exclusivamente ao novo ofício. No Centro-Oeste também montou sua nova banda, Irmandade Interplanetária, com a qual gravou dois álbuns que – francamente – não deram em nada.

Neste ano, Carlos Maltz lançou o primeiro livro: Abilolado Mundo Novo (editora Via Lettera). Sem papas na língua – até porque "o pop não poupa ninguém", conforme diz a música dos Engenheiros –, Carlos Maltz, um portoalegrense nascido às 18 horas de 24 de outubro de 1962, sob o signo de Escorpião, conversou com a revista ParkShopping em seu agradável consultório, no final da Asa Norte.

O eterno engenheiro do Hawaii, hoje "das estrelas", falou sobre a ex-banda, Brasília, Brasil, Era de Aquário, de "sincronicidade", palavra-chave que o levou, sem escalas, do The Police aos astros.

O destino traçou o futuro (de sucesso) dos Engenheiros muito cedo, você não acha?

Carlos Maltz – Os Engenheiros surgiram num tempo em que as coisas estavam acontecendo rápido na música brasileira. Para ter ideia, ganhamos Disco de Ouro com Longe Demais das Capitais, nosso primeiro álbum, de 1985. Na época, nem o Caetano Veloso tinha recebido um ainda. Por volta de 1990 éramos uma das maiores bandas do Brasil, ao lado de Legião Urbana, Titãs e Paralamas. Época em que os Titãs estavam inteiros e tocavam no rádio praticamente o tempo todo. Paralamas e Legião também. O rock nacional estava em alta, e nosso apogeu foi muito rápido. Começamos a banda em 1985 e um ano depois veio o Disco de Ouro. Tudo começou de forma “estranha”. Juntamos a banda apenas para fazer um show na faculdade de arquitetura, em Porto Alegre. Era janeiro de 1985. Estreamos no mesmo dia em que começou a primeira edição do Rock In Rio, no Rio de Janeiro. A gente não tinha a menor pretensão.

Coincidência "astrológica"?

Carlos Maltz – Exatamente. A Legião tinha acabado de estourar nas rádios brasileiras. Então, por volta de junho daquele ano de 1985, os caras das gravadoras estavam atrás de bandas fora do eixo Rio-São Paulo. Queriam encontrar bandas fora e, então, buscaram em Porto Alegre e Brasília. Na época teve o festival Rock Universitário, em Porto Alegre. Os Engenheiros do Hawaii tinham estourado na cidade com a música "Sopa de Letrinha". Nos deram, então, a décima vaga nesse festival, para o qual veio um olheiro da RCA, que lançou o antológico pau de sebo Rock Grande do Sul. Dessas dez bandas do festival, o olheiro escolheu cinco: nós, Garotos da Rua, TNT , DeFalla e Os Replicantes. Para nós deu certo. Estouramos as duas músicas, "Sopa de Letrinha" e "Segurança" no Rio Grande do Sul, embora a aposta da gravadora, na verdade, fosse em Os Replicantes.

Inclusive tem rodado na TV um comercial de automóvel com “Segurança”. Você recebe direitos autorais?

Carlos Maltz – Eu, não! (risos) Mas o Humberto (Gessinger), que é autor da música, sim.

E como foi sua virada pessoal?

Carlos Maltz – Lá por 1993, comecei a ficar de saco cheio daquela história. Vira rotina. Os artistas do Rio Grande do Sul que até então tinham feito sucesso eram só Teixeirinha e Elis Regina. De uma hora para outra viramos pop stars. Ainda na banda, nessa época, comecei a estudar a obra de Carl Jung, por causa do disco do The Police, Sincronicity. Eu queria saber por que diabos, na capa do disco, Sting estava segurando um livro do Jung (Carl Gustav, analista)... Comecei a ler e me interessar pela teoria da sincronicidade, a obra de Jung, um livro fininho, que tem um estudo sobre “coincidências significativas e aleatórias em mapas astrológicos de casais”. Um pensamento muito além da psicologia de sua época. Foi assim que comecei: para entender o ser humano em sua complexidade não se pode ter preconceito. Jung aplicava o empírico a qualquer fenômeno que observava. Na realidade, sempre tive um histórico de ligação com astrologia. Mas antes eu negava. Brigava contra. Sou de família judia.

Judeu astrólogo...

Carlos Maltz – Em 1981 fui para Israel. Eu tinha uma namorada que foi para lá e fui atrás dela. Um dia fomos visitar a ruína de um templo. Chegando lá, imaginei que fosse encontrar apenas colunas, escombros. Do templo em ruínas sobrara apenas o piso. Um homem lavava o piso e, de repente, apareceu uma mandala astrológica ao lado de símbolos sagrados do judaísmo. Justamente o símbolo que saía impresso na coluna da astróloga Zora Yonara, que na época era publicada no jornal Zero Hora. Quando vi esse símbolo astrológico de quase 4.000 anos, fiquei “zureta”. Fiquei fora do ar um mês, atordoado. Nem imaginava que pudesse haver a ligação da astrologia com o sagrado. E me interessei muito, mas só depois comecei e estudar o assunto. Foi por meio da conexão com a sincronicidade, de Jung e o The Police.

Nesse caso, além dos astros, foi o pop que tramou para cima de você...

Carlos Maltz – Sim, me abriu a porta. Muita gente começou a estudar assuntos sérios por causa de certas situações. É bom lembrar que a música pop feita nos anos 1960, 70 e 80 não era igual à de hoje em dia. Existia algo extremamente metafísico. Até hoje a canção do Sting, "Sincronicity", me soa muito misteriosa. Desde George Harrison e a ponte que fez com a Índia, o pop inglês tem essa conexão “mística”. Esse misticismo foi o que sempre me atraiu no pop.

Mas também foi o pop que separou os Engenheiros?

Carlos Maltz – De certa forma, sim. Eu tinha escrito uma música que falava sobre sincronicidade, destinos cruzados. A briga entre mim e Gessinger, em 1995 – e pouca gente sabe –, aconteceu por causa disso. Fiz uma música chamada "Castelo dos Destinos Cruzados", que entre outros temas fala de reencarnação. O Humberto se recusou a gravar a música e a cantá-la. Foi o pomo da discórdia. Resolvi que, se fosse assim, eu não tocaria mais as canções dele. Nossa briga não foi por causa de dinheiro, mulher ou vaidade de egos. Os motivos foram ideológicos.

O que aconteceu depois?

Carlos Maltz – Por volta de 1997 eu estava duro. O casamento tinha acabado também. Não tinha vontade de tocar com outras pessoas. O que, de verdade, eu tinha era a astrologia, que usei para estudar a mim mesmo, meu "eu". Eu era um mistério para mim.

Foi sua iniciação.

Carlos Maltz – Isso me levou a conhecer os caras da Escola Inglesa de Astrologia Psicológica, todos junguianos. Fui aprendendo a fazer sozinho. Primeiro fazendo mapas astrológicos de amigos. Tive aulas com o grande Antonio Carlos Arres. Comecei a cobrar e a me profissionalizar. Em 1998 conheci a Ana, com quem estou casado até hoje, ambos saídos de um relacionamento que não havia dado certo. Nos conhecemos, fomos morar no Rio de Janeiro. Porém, estávamos em busca de alguma coisa nova que pudesse fazer sentido para os dois. Em 1999 viemos visitar uma pessoa aqui, em Brasília, numa chácara perto do Vale do Amanhecer. Era uma noite de maio, céu limpo e estrelado do Planalto Central. Naquela noite olhei para o céu e disse a mim mesmo: "Vou vir morar aqui". Falei: "Ana, vamos morar aqui?" E ela: "Vamos". Simples assim.

Qual é a localização astrológica de Brasília?

Carlos Maltz – Brasília, localizada no Planalto Central, tem sua história ligada à chamada "Nova Era", a Era de Aquário. Por sinal, é o signo ascendente da cidade, que marca a data em que foi fundada. Brasília tem Sol em Touro e o ascendente em Aquário. Tudo aqui é voltado para o futuro. A própria arquitetura de Brasília é a "Acrópole do Futuro". É uma cidade que nasceu olhando para dentro, por intermédio do olhar futurista de Oscar Niemeyer. Antes, ainda, existia a "profecia de Dom Bosco", que a anunciava como cidade destinada a ser a capital desta nova era que está começando. Brasília tem essa aura mística. É só andar pelas avenidas L2s que se veem templos budistas, espiritismo, igreja católica. São embaixadas políticas e espirituais também. Brasília tem a vocação de ser a capital dessa nova era que ainda não chegou, mas traz o paradigma do amor e do perdão. Nessa Era de Aquário, que começa agora, o Brasil tem importância fundamental no mundo por causa de seu desenvolvimento espiritual, o maior do planeta, e também por causa da miscigenação racial. Começa a formar-se uma nova civilização com novos valores que nunca se vai encontrar em outra parte do planeta. Brasília é a capital dessa nova era.

E o Brasil?

Carlos Maltz – O Brasil é um país que tem 500 anos; não está consolidado ainda. Na Inglaterra, Alemanha ou França, aos 500 anos de idade, o "pau tava comendo". Numa nova civilização que está nascendo com ela, vem uma série de problemas de juventude. Ao mesmo tempo que existem coisas hiperdesenvolvidas no Brasil, como é o caso da espiritualidade, a exemplo de Chico Xavier, ainda se tem muita imaturidade política, por outro lado: essa coisa de se dar bem pessoalmente. Ainda reina a mentalidade extrativista. Para se dar bem é preciso sugar tudo quanto pode e, depois, ir morar em Paris. Essas pessoas não percebem, no entanto, que o eixo mudou para cá. Os velhos continentes deram o que tinham para dar.

Isso reflete na música.

Carlos Maltz – A capa do meu livro é justamente isso: a terra de cabeça para baixo e a América do Sul em cima. O "novo" sobre a Terra está em países como Índia, China e Brasil.

Na Era de Aquário tudo é lindo e maravilhoso, como supunham os hippies?

Carlos Maltz – Eu não acho. A gente não vai mudar da noite para o dia. Não é assim que acontece, na realidade. A humanidade, como diz a música do Lulu (Santos), "caminha em passos de formiga e sem vontade". Ainda é preciso muita transformação dentro das pessoas. Meu livro fala sobre isso. Os valores da era passada não valem mais. Hoje estamos vivendo um grande vazio de mitos, significados e sentidos. As pessoas fazem o que lhes dá na telha e acham que isso é liberdade. É libertinagem. As coisas não mudaram muito. "Nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". Estamos mais perdidos que barata tonta. Não temos mais referências universais como existiam na Idade Média. A Organização Mundial da Saúde avisou que, segundo seus cálculos, daqui a dez anos, aproximadamente, 35% da população da Terra estará doente. Diagnóstico: depressão. O cara não sai da cama nem para trabalhar. Outros 15% sofrerão formas severas de adição, seja por compras, comida, sexo ou drogas. Isso é a metade da população da Terra. Na minha visão não se trata de um problema de saúde, mas da quebra de um grande paradigma. As pessoas querem tapar o buraco da alma com coisas que não saciam nunca. É a crise que estamos vivendo.
*No post debaixo, leia a segunda reportagem da edição desta edição da Revista do ParkShopping:  10 bandas (brasilienses) que você precisa conhecer. 

10 bANDAS qUE vOCÊ pRECISA cONHECER

Saiba quem são e o que tocam os principais grupos da cena musical brasiliense

POR CRISTIANO BASTOS - REVISTA PARKSHOPPING

A movimentação musical de Brasília vai bem, obrigado. A cidade deixou de ser apenas a "capital do rock" para tornar-se berço de todas as vertentes possíveis.

No começo dos anos 1980, como não existia mercado de música "jovem", a única opção que as bandas iniciantes tinham era fazer "seu próprio som" – sem se preocupar com as consequências. 

Foi por conta disso que bandas como Plebe Rude, e a estreante Legião Urbana (em seu primeiro show) foram presos em Patos de Minas (MG), em 1982. Motivo: o "desacato" das letras.

"Era a urgência de nossa geração que nos movia. Todas as bandas da época, nem se quisessem, poderiam se vender. Não havia quem fosse pagar. Mas, depois do sucesso do Rock in Rio e da explosão da Blitz com 'Você Não Soube me Amar', o rock virou commodity. E o resto é história", diz o guitarrista da Plebe Rude, Philippe Seabra.

O músico Beto Só – cujo novo álbum (seu terceiro), produzido por Seabra e lançado pelo selo Senhor F Discos, é uma trilogia, que ele chama de "trilogia do otimismo" – acha a cena de Brasília mais "desencanada". Observa que muita gente da cidade tem a música como atividade paralela a outro trabalho.

"Li no Correio Braziliense que a Fernanda, da banda Lucy and the Popsonics, não pensa em se mudar daqui , que aqui estão o trabalho, os gatos e a casa dela. É isso".

Para Beto, eles foram lá, tocaram no país, no exterior e viram que não era a deles ficar na estrada de van, esperando um sucessão que, sejamos francos, dificilmente chegará.

Essa postura mais relax das bandas de Brasília, segundo Beto, poderá garantir artistas mais longevos, que vão lançar seus álbuns despretensiosamente – o que pode resultar em música boa, legal, criativa, que leve, inclusive, uma novo cenário.

Conheça 10 bandas brasilienses que têm potencial, talento e carisma para renovar a sonoridade pop do centro-oeste.

WATSON

Desde os tempos em que se chamava "Watson e o Progresso da Ciência", a atual Watson (foto) é velha conhecida da cena brasiliense. São oito anos de vida. O primeiro e homônimo disco foi editado em maio pelo Senhor F Discos. Gravado em Porto Alegre, a esmerada produção do álbum é dos irmãos Gustavo e Thomas Dreher (Cachorro Grande, Júpiter Maçã). "Emtivi Apresenta" - cuja letra dá bem a real - é refresco para ouvidos judiados pelo irritante emocore, mas saudosos por rock.

Emtivi Apresenta

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TIRO WILLIAMS
Reunidos há três anos, o Tiro Williams se juntou após o guitarrista Eduardo "Bola" Oliveira ter assistido um show dos gaúchos da Superguidis em Brasília. Eles, que se estipulam como "rock noventista", ficaram um ano se dedicando à busca de uma sonoridade própria. Em 2009, o que deveria ser apenas a sessão de gravação de um EP se transformou num álbum com dez músicas. O disco laçou a crítica e cavou brecha para shows do Tiro Williams fora da cidade.
THE PRO
Nos últimos dois anos, a The Pro tem atraído olhares e captado ouvidos com a sua batida dance rock. O começo da banda, em 2005, foi mais roqueiro. Mas a atual busca é pelas nuances eletrônicas. Em Brasília, abriram o show do Franz Ferdinand. A música "Alfama" é semi-hit nas emissoras de rádio locais. A The Pro lançou três Ep's: o último chama-se "Cowbell Edition". O primeiro álbum está programado para 2010.
SUPER STEREO SURF
A Super Stereo Surf apareceu momentos antes do estilo surf music "crawdear" a cena com dezenas de grupos instrumentais. Surfando nas ondas dropadas pelos californianos Beach Boys, em 2009 a banda gravou Antes do Baile, seu primeiro disco. Em Brasília abriram para CJ Ramone.
LUCY AND THE POPSONICS
A grande novidade da Lucy and the Popsonics é que, em 2010, deixaram de ser duo para virar "power trio". Além de Fernanda e Pil Popsonic, a banda, que é uma das mais ativas da capital federal, agora tem um baterista, Beto Cavani. A função era antes desempenhada pela eletrônica "Lucy". Produzido por John Ullhôa (Pato Fu), o próximo álbum, adianta a vocalista Fernanda, vai se chamar "Irá se chamar Fred Astaire".
GALINHA PRETA
Lançado este ano, Ajuda Nós Aê! é o quarto disco da punk Galinha Preta. Propositalmente tosco, o som é inclinado para o grindcore com bases eletrônicas. O vocalista Ricardo Gonzales, o popular e inquieto "Frango" é, também, um dos técnicos de som mais requisitados da cidade. Os shows da Galinha Preta sempre são muito elogiados, porém, a impagável estampa de seu frontman muitas vezes rouba a cena e arranca gargalhadas do público.
CLUB SILÊNCIO
Após três anos de "barulho", o Club Silêncio, hoje em dia, está à caça de um novo som e de uma nova imagem. Calcada em teclados e sintetizadores, a sonoridade etérea da banda foi registrada em dois álbuns: Laissez-faire e Baladas Modernas. Ainda sem nome, mas previsto para este ano, agora o Club Silêncio encontra-se em estúdio gravando seu terceiro disco.
SUPERQUADRA
2002 marcou o aparecimento de muitas bandas em Brasília. A Superquadra, que aposta no temário urbano e nos dissabores do amor, surgiu nessa leva. Embora o rock eletrônico da banda ainda não tenha conquistado muito espaço, mantém público cativo na cidade. O álbum de estreia da Superquadra, Minimalismo Tropicalista, foi lançado em 2006.
SUÍTE SUPER LUXO
Em 2004, a Suíte Super Luxo lançou seu primogênito e elogiado disco, El Toro!. Ainda em 2010, a banda pretende editar um single do novo álbum, o qual será lançado numa parceria entre os selos Rolla Pedra, Senhor F e Estúdio Orbis. "Será apenas um aperitivo do que está por vir", revela o guitarrista Lucq Albano. Com somente um disco, a Suíte Super Luxo é uma das bandas mais aclamadas de Brasília.
BETO SÓ
Beto Só pode não ser o artista brasiliense mais popular, porém, com certeza é o mais respeitado. Em 2005, o cantor e compositor debutou com o álbum Lançando Sinais, que foi sucedido por Dias Mais Tranquilos - ambos produzidos por Philippe Seabra (Superguidis). O terceiro disco, que deve sair em outubro, tem nome: Ferro-Velho de Boas Intenções.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

aCHADOS dE pAÊBIRÚ*

*Registros fotográficos das gravações do "road doc" Na Paredes da Pedra Encantada, que ilustrarão a arte gráfica do filme, atualmente em fase de finalização e montagem em Porto Alegre. 

Na primeira foto, Leonardo Bomfim e eu enquadramos Lula Côrtes, o qual divaga a cerca dos mistérios da fascinante Pedra do Ingá, ou Pedra Lavrada. 

As belíssimas  fotos, de autoria do recifense Ricardo Moura,  foram tiradas para a grande reportagem Agreste Psicodélico - A trilha em busca das origens de Paêbirú, o disco maldito de Lula Côrtes e Zé Ramalho, hoje o vinil mais caro do Brasil, publicada na edição 24 da Rolling Stone, em 2008.  

Leia a reportagem.

Veja mais registros na galeria do Ricardo no Flickr. No post abaixo, assista o teaser do filme (no link) e veja, também, a entrevista que dei ao Bom Dia Paraíba à época das filmagens.

nAS pAREDES dA pEDRA eNCANTADA










*Nas Paredes da Pedra Encantada é um road movie que viaja pelas lendas do mítico Paêbirú - Caminho da Montanha do Sol, álbum lançando em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho.  Os diretores Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim arrumaram uma Kombi para levar Lula Côrtes de volta a Ingá, recanto do agreste paraibano envolto no misticismo de uma pedra talhada com signos pré-milenares. Entre as lembranças de Lula e as histórias de figuras diversas da cena udigrudi nordestina, como Lailson, Alceu Valença e Kátia Mezel, o filme investiga, não só a riqueza musical de Paêbirú, mas também, o imaginário particular do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa. Visite o blog oficial do filme e assista o teaser.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

eLVIS

A vida do rei do rock recriada em intrigantes quadrinhos

POR CRISTIANO BASTOS - ROLLING STONE

A opção em se lançar biografias em HQ é uma injeção de força nesse batido ofício literário. A novela gráfica sobre a vida de Elvis Presley acerta em cheio ao escalar nove desenhistas alemães de estilos diferentes para, em vivas cores, recriar marcantes passagens da conturbada vida do superstar.
Com o poder de síntese dos quadrinhos, estão nas páginas do livro momentos cruciais da carreira de Elvis, como a iniciação gospel do artista, o primeiro registro na Sun Records e o mítico show Aloha from Hawaii, em 1973.
Também figuram na obra a esposa, Priscilla, a amada mãe, Grace, e o excêntrico Coronel Parker, seu empresário.
Uma das mais reveladoras passagens está logo no começo: Elvis possuía um irmão gêmeo, que morreu minutos antes do parto. Segundo os autores, o Rei viveu sua vida inteira amargando o peso da perda de seu "duplo".
As excruciantes obrigações do showbusiness, uma das razões cruciais da melancolia que abateu o Rei, porém, jamais abalaram a mais agraciada voz do rock and roll.

Autor: Organizado por Reinhard Kleiste Titus Ackerman
Editora:
8inverso Graphics

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