domingo, 16 de janeiro de 2011

a (pLATINADA) vOZ dE jACKIE dEE


"Needles and Pins", cativante lovesong escrita originalmente por Jack Nitzsche e Sonny Bono (ex-Cheer), foi registrada pela primeira vez na loura voz da cantora Jackie DeShannon, para a qual especialmente fora composta.

Ano: 1963.



"Needles and Pins" é a típica canção de amor que as todas bandas "legais" um dia sonharam gravar.

Seduzidos pela sensual Jackie, The Searchers, Ramones e Turtles em estúdio materializaram suas próprias versões.

Versões ou poluções?

Na intimidade, quantos deles não sonharam com a petit blonde? Eu sonhei.

Deprimido, o guitar-hero do Led Zepellin, Jimi Page, para ela escreveu a doce-amarga "Tangerine". Está no disco Led II. Das mais lindas canções.

"Tangerine" é para Jackie, criada no amargor do coração partido de Page.

Curiosíssimo fato da "história do rock" (confirmado pela Sociedade Apreciadora de Jackie, nos EUA) aconteceu no Brasil:

O primeiro show de rock-n-roll feito no Brasil  (Teatro Record de São Paulo, 1957) - Rock-n-roll  Fantasy - contou com a púbere participação de Jackie Dee: uma lourinha de voz rouca de seus 17 aninhos...

No espetáculo, DeShannon imitava Elvis Presley com "energia atômica!", exclamava a divulgação do show.

O destino, porém, reservava para a ninfeta outro futuro: como talentosa (e respeitada) cantora e letrista. Jackie chegou compor para os The Byrds.

Como songwriter, seu maior sucessso é o hit megablaster "Bettie Davies Eyes".

"Betty Davies..."  foi feita sob-medida para a cantora Kim Carnes (expécie de alter-ego vocálico de Jackie) - é daqueles enormes sucessos dos 80's.

Pode ter certeza de que - em alguma vez em sua vida - a ouviste irradiando dalguma rádio flashback.

Ou melhor: umas centenas de vezes, talvez.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

eNGENHEIRO dAS eSTRELAS*

Carlos Maltz, ex-Engenheiros do Hawaii, é um astrólogo de sucesso em Brasília

POR CRISTIANO BASTOS -  REVISTA DO PARKSHOPPING

Inevitavelmente, ele sempre é comparado ao personagem criado pelo escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo, O Analista de Bagé, conhecido por seus métodos psicanalíticos pouco ortodoxos, como a terapia do "joelhaço".

Mas Carlos Maltz está mais é para "filósofo pop".

O ex-baterista e um dos fundadores da popular banda Engenheiros do Hawaii (junto com Marcelo Pitz e Humberto Gessinger) agora atende em um confortável consultório em Brasília.

Sua especialidade? Astrologia e psicologia.

Maltz ficou na banda de 1985 a 1996, quando integrou a clássica formação conhecida pela sigla Gessinger/ Licks/Maltz. Farto do show business brasileiro, o judeu Carlos Maltz descobriu seu caminho ao se "converter" astrólogo, sua atual profissão de fé.

Em 1999, largou tudo e veio morar em Brasília com Ana Cláudia, sua atual mulher, com quem tem três filhas: Marianna, Rosana e Larissa. Em sua filosofia pop, Maltz, que também é psicólogo, afirma "beber em fontes junguianas, comer em mesas hollywoodianas e dormir em redes tropicalistas".

"Remixo R.E.M. com Jackson Pollock, Nietzsche com Zé Ramalho e sampleio as vanguardas artísticas, mas sem perder o trocadilho", diz.

Maltz, que nunca largou de vez as baquetas, diz que tudo ficou "alinhado" quando conheceu Brasília. Foi visitar um amigo que se mudara para a Capital Federal e aí... "Numa daquelas noites, sob o céu estrelado do Planalto Central, compreendi que mais uma etapa de minha vida havia chegado ao fim".

E do dia, ou melhor, da noite, ele se lembra bem: foi em 11 de agosto de 1999. "Dia do grande eclipse que marcou o início do período das transformações mais radicais a que nosso planeta assistiu".

Na cidade, abriu um consultório de astrologia e passou a dedicar-se exclusivamente ao novo ofício. No Centro-Oeste também montou sua nova banda, Irmandade Interplanetária, com a qual gravou dois álbuns que – francamente – não deram em nada.

Neste ano, Carlos Maltz lançou o primeiro livro: Abilolado Mundo Novo (editora Via Lettera). Sem papas na língua – até porque "o pop não poupa ninguém", conforme diz a música dos Engenheiros –, Carlos Maltz, um portoalegrense nascido às 18 horas de 24 de outubro de 1962, sob o signo de Escorpião, conversou com a revista ParkShopping em seu agradável consultório, no final da Asa Norte.

O eterno engenheiro do Hawaii, hoje "das estrelas", falou sobre a ex-banda, Brasília, Brasil, Era de Aquário, de "sincronicidade", palavra-chave que o levou, sem escalas, do The Police aos astros.

O destino traçou o futuro (de sucesso) dos Engenheiros muito cedo, você não acha?

Carlos Maltz – Os Engenheiros surgiram num tempo em que as coisas estavam acontecendo rápido na música brasileira. Para ter ideia, ganhamos Disco de Ouro com Longe Demais das Capitais, nosso primeiro álbum, de 1985. Na época, nem o Caetano Veloso tinha recebido um ainda. Por volta de 1990 éramos uma das maiores bandas do Brasil, ao lado de Legião Urbana, Titãs e Paralamas. Época em que os Titãs estavam inteiros e tocavam no rádio praticamente o tempo todo. Paralamas e Legião também. O rock nacional estava em alta, e nosso apogeu foi muito rápido. Começamos a banda em 1985 e um ano depois veio o Disco de Ouro. Tudo começou de forma “estranha”. Juntamos a banda apenas para fazer um show na faculdade de arquitetura, em Porto Alegre. Era janeiro de 1985. Estreamos no mesmo dia em que começou a primeira edição do Rock In Rio, no Rio de Janeiro. A gente não tinha a menor pretensão.

Coincidência "astrológica"?

Carlos Maltz – Exatamente. A Legião tinha acabado de estourar nas rádios brasileiras. Então, por volta de junho daquele ano de 1985, os caras das gravadoras estavam atrás de bandas fora do eixo Rio-São Paulo. Queriam encontrar bandas fora e, então, buscaram em Porto Alegre e Brasília. Na época teve o festival Rock Universitário, em Porto Alegre. Os Engenheiros do Hawaii tinham estourado na cidade com a música "Sopa de Letrinha". Nos deram, então, a décima vaga nesse festival, para o qual veio um olheiro da RCA, que lançou o antológico pau de sebo Rock Grande do Sul. Dessas dez bandas do festival, o olheiro escolheu cinco: nós, Garotos da Rua, TNT , DeFalla e Os Replicantes. Para nós deu certo. Estouramos as duas músicas, "Sopa de Letrinha" e "Segurança" no Rio Grande do Sul, embora a aposta da gravadora, na verdade, fosse em Os Replicantes.

Inclusive tem rodado na TV um comercial de automóvel com “Segurança”. Você recebe direitos autorais?

Carlos Maltz – Eu, não! (risos) Mas o Humberto (Gessinger), que é autor da música, sim.

E como foi sua virada pessoal?

Carlos Maltz – Lá por 1993, comecei a ficar de saco cheio daquela história. Vira rotina. Os artistas do Rio Grande do Sul que até então tinham feito sucesso eram só Teixeirinha e Elis Regina. De uma hora para outra viramos pop stars. Ainda na banda, nessa época, comecei a estudar a obra de Carl Jung, por causa do disco do The Police, Sincronicity. Eu queria saber por que diabos, na capa do disco, Sting estava segurando um livro do Jung (Carl Gustav, analista)... Comecei a ler e me interessar pela teoria da sincronicidade, a obra de Jung, um livro fininho, que tem um estudo sobre “coincidências significativas e aleatórias em mapas astrológicos de casais”. Um pensamento muito além da psicologia de sua época. Foi assim que comecei: para entender o ser humano em sua complexidade não se pode ter preconceito. Jung aplicava o empírico a qualquer fenômeno que observava. Na realidade, sempre tive um histórico de ligação com astrologia. Mas antes eu negava. Brigava contra. Sou de família judia.

Judeu astrólogo...

Carlos Maltz – Em 1981 fui para Israel. Eu tinha uma namorada que foi para lá e fui atrás dela. Um dia fomos visitar a ruína de um templo. Chegando lá, imaginei que fosse encontrar apenas colunas, escombros. Do templo em ruínas sobrara apenas o piso. Um homem lavava o piso e, de repente, apareceu uma mandala astrológica ao lado de símbolos sagrados do judaísmo. Justamente o símbolo que saía impresso na coluna da astróloga Zora Yonara, que na época era publicada no jornal Zero Hora. Quando vi esse símbolo astrológico de quase 4.000 anos, fiquei “zureta”. Fiquei fora do ar um mês, atordoado. Nem imaginava que pudesse haver a ligação da astrologia com o sagrado. E me interessei muito, mas só depois comecei e estudar o assunto. Foi por meio da conexão com a sincronicidade, de Jung e o The Police.

Nesse caso, além dos astros, foi o pop que tramou para cima de você...

Carlos Maltz – Sim, me abriu a porta. Muita gente começou a estudar assuntos sérios por causa de certas situações. É bom lembrar que a música pop feita nos anos 1960, 70 e 80 não era igual à de hoje em dia. Existia algo extremamente metafísico. Até hoje a canção do Sting, "Sincronicity", me soa muito misteriosa. Desde George Harrison e a ponte que fez com a Índia, o pop inglês tem essa conexão “mística”. Esse misticismo foi o que sempre me atraiu no pop.

Mas também foi o pop que separou os Engenheiros?

Carlos Maltz – De certa forma, sim. Eu tinha escrito uma música que falava sobre sincronicidade, destinos cruzados. A briga entre mim e Gessinger, em 1995 – e pouca gente sabe –, aconteceu por causa disso. Fiz uma música chamada "Castelo dos Destinos Cruzados", que entre outros temas fala de reencarnação. O Humberto se recusou a gravar a música e a cantá-la. Foi o pomo da discórdia. Resolvi que, se fosse assim, eu não tocaria mais as canções dele. Nossa briga não foi por causa de dinheiro, mulher ou vaidade de egos. Os motivos foram ideológicos.

O que aconteceu depois?

Carlos Maltz – Por volta de 1997 eu estava duro. O casamento tinha acabado também. Não tinha vontade de tocar com outras pessoas. O que, de verdade, eu tinha era a astrologia, que usei para estudar a mim mesmo, meu "eu". Eu era um mistério para mim.

Foi sua iniciação.

Carlos Maltz – Isso me levou a conhecer os caras da Escola Inglesa de Astrologia Psicológica, todos junguianos. Fui aprendendo a fazer sozinho. Primeiro fazendo mapas astrológicos de amigos. Tive aulas com o grande Antonio Carlos Arres. Comecei a cobrar e a me profissionalizar. Em 1998 conheci a Ana, com quem estou casado até hoje, ambos saídos de um relacionamento que não havia dado certo. Nos conhecemos, fomos morar no Rio de Janeiro. Porém, estávamos em busca de alguma coisa nova que pudesse fazer sentido para os dois. Em 1999 viemos visitar uma pessoa aqui, em Brasília, numa chácara perto do Vale do Amanhecer. Era uma noite de maio, céu limpo e estrelado do Planalto Central. Naquela noite olhei para o céu e disse a mim mesmo: "Vou vir morar aqui". Falei: "Ana, vamos morar aqui?" E ela: "Vamos". Simples assim.

Qual é a localização astrológica de Brasília?

Carlos Maltz – Brasília, localizada no Planalto Central, tem sua história ligada à chamada "Nova Era", a Era de Aquário. Por sinal, é o signo ascendente da cidade, que marca a data em que foi fundada. Brasília tem Sol em Touro e o ascendente em Aquário. Tudo aqui é voltado para o futuro. A própria arquitetura de Brasília é a "Acrópole do Futuro". É uma cidade que nasceu olhando para dentro, por intermédio do olhar futurista de Oscar Niemeyer. Antes, ainda, existia a "profecia de Dom Bosco", que a anunciava como cidade destinada a ser a capital desta nova era que está começando. Brasília tem essa aura mística. É só andar pelas avenidas L2s que se veem templos budistas, espiritismo, igreja católica. São embaixadas políticas e espirituais também. Brasília tem a vocação de ser a capital dessa nova era que ainda não chegou, mas traz o paradigma do amor e do perdão. Nessa Era de Aquário, que começa agora, o Brasil tem importância fundamental no mundo por causa de seu desenvolvimento espiritual, o maior do planeta, e também por causa da miscigenação racial. Começa a formar-se uma nova civilização com novos valores que nunca se vai encontrar em outra parte do planeta. Brasília é a capital dessa nova era.

E o Brasil?

Carlos Maltz – O Brasil é um país que tem 500 anos; não está consolidado ainda. Na Inglaterra, Alemanha ou França, aos 500 anos de idade, o "pau tava comendo". Numa nova civilização que está nascendo com ela, vem uma série de problemas de juventude. Ao mesmo tempo que existem coisas hiperdesenvolvidas no Brasil, como é o caso da espiritualidade, a exemplo de Chico Xavier, ainda se tem muita imaturidade política, por outro lado: essa coisa de se dar bem pessoalmente. Ainda reina a mentalidade extrativista. Para se dar bem é preciso sugar tudo quanto pode e, depois, ir morar em Paris. Essas pessoas não percebem, no entanto, que o eixo mudou para cá. Os velhos continentes deram o que tinham para dar.

Isso reflete na música.

Carlos Maltz – A capa do meu livro é justamente isso: a terra de cabeça para baixo e a América do Sul em cima. O "novo" sobre a Terra está em países como Índia, China e Brasil.

Na Era de Aquário tudo é lindo e maravilhoso, como supunham os hippies?

Carlos Maltz – Eu não acho. A gente não vai mudar da noite para o dia. Não é assim que acontece, na realidade. A humanidade, como diz a música do Lulu (Santos), "caminha em passos de formiga e sem vontade". Ainda é preciso muita transformação dentro das pessoas. Meu livro fala sobre isso. Os valores da era passada não valem mais. Hoje estamos vivendo um grande vazio de mitos, significados e sentidos. As pessoas fazem o que lhes dá na telha e acham que isso é liberdade. É libertinagem. As coisas não mudaram muito. "Nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". Estamos mais perdidos que barata tonta. Não temos mais referências universais como existiam na Idade Média. A Organização Mundial da Saúde avisou que, segundo seus cálculos, daqui a dez anos, aproximadamente, 35% da população da Terra estará doente. Diagnóstico: depressão. O cara não sai da cama nem para trabalhar. Outros 15% sofrerão formas severas de adição, seja por compras, comida, sexo ou drogas. Isso é a metade da população da Terra. Na minha visão não se trata de um problema de saúde, mas da quebra de um grande paradigma. As pessoas querem tapar o buraco da alma com coisas que não saciam nunca. É a crise que estamos vivendo.
*No post debaixo, leia a segunda reportagem da edição desta edição da Revista do ParkShopping:  10 bandas (brasilienses) que você precisa conhecer. 

10 bANDAS qUE vOCÊ pRECISA cONHECER

Saiba quem são e o que tocam os principais grupos da cena musical brasiliense

POR CRISTIANO BASTOS - REVISTA PARKSHOPPING

A movimentação musical de Brasília vai bem, obrigado. A cidade deixou de ser apenas a "capital do rock" para tornar-se berço de todas as vertentes possíveis.

No começo dos anos 1980, como não existia mercado de música "jovem", a única opção que as bandas iniciantes tinham era fazer "seu próprio som" – sem se preocupar com as consequências. 

Foi por conta disso que bandas como Plebe Rude, e a estreante Legião Urbana (em seu primeiro show) foram presos em Patos de Minas (MG), em 1982. Motivo: o "desacato" das letras.

"Era a urgência de nossa geração que nos movia. Todas as bandas da época, nem se quisessem, poderiam se vender. Não havia quem fosse pagar. Mas, depois do sucesso do Rock in Rio e da explosão da Blitz com 'Você Não Soube me Amar', o rock virou commodity. E o resto é história", diz o guitarrista da Plebe Rude, Philippe Seabra.

O músico Beto Só – cujo novo álbum (seu terceiro), produzido por Seabra e lançado pelo selo Senhor F Discos, é uma trilogia, que ele chama de "trilogia do otimismo" – acha a cena de Brasília mais "desencanada". Observa que muita gente da cidade tem a música como atividade paralela a outro trabalho.

"Li no Correio Braziliense que a Fernanda, da banda Lucy and the Popsonics, não pensa em se mudar daqui , que aqui estão o trabalho, os gatos e a casa dela. É isso".

Para Beto, eles foram lá, tocaram no país, no exterior e viram que não era a deles ficar na estrada de van, esperando um sucessão que, sejamos francos, dificilmente chegará.

Essa postura mais relax das bandas de Brasília, segundo Beto, poderá garantir artistas mais longevos, que vão lançar seus álbuns despretensiosamente – o que pode resultar em música boa, legal, criativa, que leve, inclusive, uma novo cenário.

Conheça 10 bandas brasilienses que têm potencial, talento e carisma para renovar a sonoridade pop do centro-oeste.

WATSON

Desde os tempos em que se chamava "Watson e o Progresso da Ciência", a atual Watson (foto) é velha conhecida da cena brasiliense. São oito anos de vida. O primeiro e homônimo disco foi editado em maio pelo Senhor F Discos. Gravado em Porto Alegre, a esmerada produção do álbum é dos irmãos Gustavo e Thomas Dreher (Cachorro Grande, Júpiter Maçã). "Emtivi Apresenta" - cuja letra dá bem a real - é refresco para ouvidos judiados pelo irritante emocore, mas saudosos por rock.

Emtivi Apresenta

Escutar

TIRO WILLIAMS
Reunidos há três anos, o Tiro Williams se juntou após o guitarrista Eduardo "Bola" Oliveira ter assistido um show dos gaúchos da Superguidis em Brasília. Eles, que se estipulam como "rock noventista", ficaram um ano se dedicando à busca de uma sonoridade própria. Em 2009, o que deveria ser apenas a sessão de gravação de um EP se transformou num álbum com dez músicas. O disco laçou a crítica e cavou brecha para shows do Tiro Williams fora da cidade.
THE PRO
Nos últimos dois anos, a The Pro tem atraído olhares e captado ouvidos com a sua batida dance rock. O começo da banda, em 2005, foi mais roqueiro. Mas a atual busca é pelas nuances eletrônicas. Em Brasília, abriram o show do Franz Ferdinand. A música "Alfama" é semi-hit nas emissoras de rádio locais. A The Pro lançou três Ep's: o último chama-se "Cowbell Edition". O primeiro álbum está programado para 2010.
SUPER STEREO SURF
A Super Stereo Surf apareceu momentos antes do estilo surf music "crawdear" a cena com dezenas de grupos instrumentais. Surfando nas ondas dropadas pelos californianos Beach Boys, em 2009 a banda gravou Antes do Baile, seu primeiro disco. Em Brasília abriram para CJ Ramone.
LUCY AND THE POPSONICS
A grande novidade da Lucy and the Popsonics é que, em 2010, deixaram de ser duo para virar "power trio". Além de Fernanda e Pil Popsonic, a banda, que é uma das mais ativas da capital federal, agora tem um baterista, Beto Cavani. A função era antes desempenhada pela eletrônica "Lucy". Produzido por John Ullhôa (Pato Fu), o próximo álbum, adianta a vocalista Fernanda, vai se chamar "Irá se chamar Fred Astaire".
GALINHA PRETA
Lançado este ano, Ajuda Nós Aê! é o quarto disco da punk Galinha Preta. Propositalmente tosco, o som é inclinado para o grindcore com bases eletrônicas. O vocalista Ricardo Gonzales, o popular e inquieto "Frango" é, também, um dos técnicos de som mais requisitados da cidade. Os shows da Galinha Preta sempre são muito elogiados, porém, a impagável estampa de seu frontman muitas vezes rouba a cena e arranca gargalhadas do público.
CLUB SILÊNCIO
Após três anos de "barulho", o Club Silêncio, hoje em dia, está à caça de um novo som e de uma nova imagem. Calcada em teclados e sintetizadores, a sonoridade etérea da banda foi registrada em dois álbuns: Laissez-faire e Baladas Modernas. Ainda sem nome, mas previsto para este ano, agora o Club Silêncio encontra-se em estúdio gravando seu terceiro disco.
SUPERQUADRA
2002 marcou o aparecimento de muitas bandas em Brasília. A Superquadra, que aposta no temário urbano e nos dissabores do amor, surgiu nessa leva. Embora o rock eletrônico da banda ainda não tenha conquistado muito espaço, mantém público cativo na cidade. O álbum de estreia da Superquadra, Minimalismo Tropicalista, foi lançado em 2006.
SUÍTE SUPER LUXO
Em 2004, a Suíte Super Luxo lançou seu primogênito e elogiado disco, El Toro!. Ainda em 2010, a banda pretende editar um single do novo álbum, o qual será lançado numa parceria entre os selos Rolla Pedra, Senhor F e Estúdio Orbis. "Será apenas um aperitivo do que está por vir", revela o guitarrista Lucq Albano. Com somente um disco, a Suíte Super Luxo é uma das bandas mais aclamadas de Brasília.
BETO SÓ
Beto Só pode não ser o artista brasiliense mais popular, porém, com certeza é o mais respeitado. Em 2005, o cantor e compositor debutou com o álbum Lançando Sinais, que foi sucedido por Dias Mais Tranquilos - ambos produzidos por Philippe Seabra (Superguidis). O terceiro disco, que deve sair em outubro, tem nome: Ferro-Velho de Boas Intenções.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

aCHADOS dE pAÊBIRÚ*

*Registros fotográficos das gravações do "road doc" Na Paredes da Pedra Encantada, que ilustrarão a arte gráfica do filme, atualmente em fase de finalização e montagem em Porto Alegre. 

Na primeira foto, Leonardo Bomfim e eu enquadramos Lula Côrtes, o qual divaga a cerca dos mistérios da fascinante Pedra do Ingá, ou Pedra Lavrada. 

As belíssimas  fotos, de autoria do recifense Ricardo Moura,  foram tiradas para a grande reportagem Agreste Psicodélico - A trilha em busca das origens de Paêbirú, o disco maldito de Lula Côrtes e Zé Ramalho, hoje o vinil mais caro do Brasil, publicada na edição 24 da Rolling Stone, em 2008.  

Leia a reportagem.

Veja mais registros na galeria do Ricardo no Flickr. No post abaixo, assista o teaser do filme (no link) e veja, também, a entrevista que dei ao Bom Dia Paraíba à época das filmagens.

nAS pAREDES dA pEDRA eNCANTADA










*Nas Paredes da Pedra Encantada é um road movie que viaja pelas lendas do mítico Paêbirú - Caminho da Montanha do Sol, álbum lançando em 1975 por Lula Côrtes e Zé Ramalho.  Os diretores Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim arrumaram uma Kombi para levar Lula Côrtes de volta a Ingá, recanto do agreste paraibano envolto no misticismo de uma pedra talhada com signos pré-milenares. Entre as lembranças de Lula e as histórias de figuras diversas da cena udigrudi nordestina, como Lailson, Alceu Valença e Kátia Mezel, o filme investiga, não só a riqueza musical de Paêbirú, mas também, o imaginário particular do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa. Visite o blog oficial do filme e assista o teaser.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

eLVIS

A vida do rei do rock recriada em intrigantes quadrinhos

POR CRISTIANO BASTOS - ROLLING STONE

A opção em se lançar biografias em HQ é uma injeção de força nesse batido ofício literário. A novela gráfica sobre a vida de Elvis Presley acerta em cheio ao escalar nove desenhistas alemães de estilos diferentes para, em vivas cores, recriar marcantes passagens da conturbada vida do superstar.
Com o poder de síntese dos quadrinhos, estão nas páginas do livro momentos cruciais da carreira de Elvis, como a iniciação gospel do artista, o primeiro registro na Sun Records e o mítico show Aloha from Hawaii, em 1973.
Também figuram na obra a esposa, Priscilla, a amada mãe, Grace, e o excêntrico Coronel Parker, seu empresário.
Uma das mais reveladoras passagens está logo no começo: Elvis possuía um irmão gêmeo, que morreu minutos antes do parto. Segundo os autores, o Rei viveu sua vida inteira amargando o peso da perda de seu "duplo".
As excruciantes obrigações do showbusiness, uma das razões cruciais da melancolia que abateu o Rei, porém, jamais abalaram a mais agraciada voz do rock and roll.

Autor: Organizado por Reinhard Kleiste Titus Ackerman
Editora:
8inverso Graphics

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

mEMÓRIAS fRAGMENTADAS*

O CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL APRESENTA:

Hou Hsiao-Hsien e o Cinema de Memórias Fragmentadas

POR CRISTIANO BASTOS

Pela primeira vez em Brasília,  o Centro Cultural Banco do Brasil fará a projeção de películas do cineasta taiwanês Hou Hsiao-Hsien. Os filmes serão exibidos de 02 a 16 de janeiro.

Iniciando a programação de 2011, a mostra "Cinema de Memórias Fragmentadas" exibirá todos os 18 filmes realizados pelo diretor. Até hoje, nenhuma dessas produções foi lançada comercialmente no Brasil.

A mostra Hou Hsiao-Hsien e o Cinema de Memórias Fragmentadas abre o ano trazendo à capital federal o consagrado Hou Hsiao-Hsien, diretor que é figura-chave do novo cinema de Taiwan. Hou também é considerado um dos cinco mais importantes realizadores do planeta.

Nas três últimas décadas, sua obra – identificada com a "bitola 35mm" – foi reconhecida em diversos festivais mundo afora. No domingo, dia 02 de janeiro, às 19h30, no CCBB de Brasília, haverá uma sessão de abertura.

Antes serão exibidos os filmes Menina bonita (Jiu shi liuliu de ta) e Vento gracioso (Feng'er titacai).

"Eu não desejo contar histórias. Meu desejo, antes, é criar climas, ambiâncias", anotou Hou Hsiao-Hsien. É com esse espírito "etéreo" que sua arte ganhará retrospectiva completa na cidade.

Hou é um cineasta laureado: foi eleito o Diretor da Década de 90 pelos críticos internacionais de Village Voice e do Film Comment e seus filmes, além de exibidos em Cannes, receberam prêmios em Berlim e Veneza.

Ainda que com inegável reconhecimento da crítica, as películas de Hou Hsiao-Hsien – as quais mal são distribuídas no Ocidente – estiveream, até agora, limitadas ao restrito circuito de festivais. Muitas delas são praticamente desconhecidas do público brasileiro.

A oportunidade é única, portanto, para se iniciar na filmografia de Hou, um dos mais renomados cineastas asiáticos da atualidade.

Gratuitamente, ao público da mostra serão distribuídos 150 catálagos que versam sobre a obra de Hou Hsiao-Hsien. A compilação reúne 18 textos inéditos de críticos de cinema como Cássio Starling, Fernando Veríssimo e Carlos Helí de Almeida.

No catálago também há ensaios escritos nas décadas de 1980/90 por autores como Olivier Assayas, Jonathan Rosembaum, Antoine de Baecque e Ruy Gardnier.

No cenário cinematográfico dos anos 90, Hou certamente é um dos cinco mais importantes realizadores. Seus filmes impressionam logo de cara pela distanciada lente com a qual focaliza seus personagens.

É, na verdade, sua característica mais recorrente – a primeira que salta aos olhos. Dois lemas de Confúcio são evocados na arte de Hou, segundo ele: "Olhar e não intervir" e "Observar e não julgar".

A estréia de Hou Hsiao-Hsien na direção aconteceu em 1980, com Menina bonita. Com seu terceiro filme, A grama verde de casa (1982), foi indicado ao Golden Horse Award, considerado o "Oscar taiwanês".

Desde então, tem contribuído para a formação de uma nova consciência acerca do cinema em Taiwan.

Internacionalmente, Hou obteve reconhecimento internacional com Os Garotos de Fengkuei (1983) e Um verão na casa do vovô (1984), ambos vencedores do Festival dos 3 Continentes, em Nantes, França.

Seu filme autobiográfico, Tempo de viver e tempo de morrer (1985), levou o prêmio internacional da crítica no Festival de Berlim em 1985 e também foi indicado melhor filme no Festival de Roterdam.

Hou Hsiao-Hsien prosseguiu fazendo filmes aclamados pela crítica: Poeira ao vento (1986) e A filha do Nilo (1987). E, gradualmente, foi considerado um dos cineastas mais inovadores do mundo.

Em 1989, seu Cidade das Tristezas ganhou o cobiçado Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em 1993, a obra-prima O mestre das marionetes recebeu prêmio do júri em Cannes.

Seus filmes seguintes, Bons homens, boas mulheres (1995), Adeus ao sul (1996), Flores de Xangai (1998), Millenium Mambo (2001), Café Lumière (2004), Três tempos (2005) e A viagem do balão vermelho (2007) foram aclamados por crítica e público.

Todas essas festejadas produções, e também muitas outras, poderão ser vistas no mês de janeiro na mostra "Hou Hsiao-Hsien e o Cinema de Memórias Fragmentadas", que será realizada no Centro Cultural do Banco do Brasil de Brasília.

Confira a programação.

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Cristiano Bastos – Brasília
(61) 9922-0130/3201-4532
Alessandra dos Santos
(61) 9227-5351

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

"bABY, I bORN tO lOSE"

A vida nos desfalca sem avisar, excluindo as melhores pessoas de nossa convivência. Uma delas foi embora esses dias. A notícia de sua morte chegou aos amigos por terceiros. Jairo William era o seu nome. Caveman, seu auto-apelido. Morreu por causa de complicações da Aids aos 30 anos.

É uma obrigação minha falar dele, afinal, o conheci e apresentei aos amigos meus que se tornaram os amigos dele em Porto Alegre: Carlinhos Carneiro, Marcelo Benvenutti e muitos outros. Jairo e eu nos conhecemos por causa do rock, essa é a verdade.
Por volta de 1992, auge do grunge, bairro Itú-Sabará, Porto Alegre, berço da banda Liverpool nos anos 60. Caveman morava com a família na parte superior do sobrado onde meu irmão, Marcelo, e eu trabalhávamos pro meu pai em sua empresa de artigos de pesca (!), Fish-Ton.
Éramos adolescentes. Nosso trabalho era embalar anzóis, bóias, chumbadas e outros artefatos pra pesca que meu pai revendia nos supermecados de todo o Rio Grande do Sul. Tínhamos um gato vira-latas muito meigo, o Maragato, que nos acompanhava na lida diária.
Na pestana pós-almoço, Maragato curtia aninhar-se em cima de mim pra tirar seu cochilo felino. Fora encontrado num bueiro defendendo a irmã gata do ataque das ratazanas. Um gato valente, o Maragato. Até hoje lhe sou saudoso e, por muitos motivos, ao rememorá-lo a melancolia invade meus sentimentos. Pior agora: ao pensar em Maragato Jairo Caveman vem por tabela.
Nosso encontro foi motivado por The Kinks. Em 1992, arrumar uma fitinha cassete da banda inglesa era como, guardado os devidos parâmetros, ter acesso a uma cópia de Paêbirú. Marcelo e eu trabalhávamos o dia inteiro ouvindo a Rádio Ipanema FM num rádio Telefunken circa 1973, do meu pai. "Sintonia modular".
Depois acoplamos um cassete-player e, quando a programação ficava chata, a gente apelava pras coisas que ambos ouviam na época: Velvet Underground, David Bowie e T-Rex. Um dia meu irmão arrumou vinil do álbum Tanx, que trocou por outra bolacha. Ouvir o disco foi das experiências mais mágicas que tive com arte durante um tempo bem expressivo - até que descolasse um cedê do The Slider e Eletric Warrior.
Na rádio tocava Kinks, "You Really Got Me". Os dois ficavam naquelas, sempre que ouviam: "Que fissura pra ter um disco desses caras..." Nosso trabalho era às portas abertas e, num desses dias de Kinks on the radio, Jairo, recém mudado pro andar de cima, chegou-se até a entrada, ficou sacando o som um pouquinho e, arregalando seus olhos azuis-orbitais, soltou: - Cês tão ouvindo Kinks?! Não acredito! Que massa!
A empatia foi no ato. Daí Jairo fez a grande revelação: - Eu tenho uma cassete dos Kinks.
Apavorado com a emoção da notícia, quase me deixei fisgar pelo anzol que embalava na hora. Subi até sua casa, conheci sua vó, com a qual morava e ele trouxe o the best The Kinks. Estava tudo lá: "All Day All Night", "Lola", "Set me Free", "Tired of Waiting" - enfim, parte das canções mais lindas e pungentes um dia feitas no rock. Quase chorei.
O tempo se foi, o grunge virou old fashioned e Jairo Willian Caveman mudou-se pra outro bairro. Perdemos o contato. Fomos nos reencontrar em 1998, nas cercanias do extinto Bar João, reduto dos street punks em Porto Alegre, hoje demolido. Aqueles punks que bebem cachaça, fazem artesanato e vestem camiseta da Janis Joplin.
Jairo foi o cara mais punk que conheci em toda minha vida - no que há de mais verdadeiro na etimologia. Eu estava no meio da faculdade de jornalismo, precocemente era redator da Rádio Atântida e editava junto com colegas a Revista ZE. Jairo assumia-se como o vagabundo. A vida inteira negou-se a trabalhar; sua grande preocupação era arrumar trocados pra comprar sua cachacinha de butiá no João e arrumar um baseado pra "fritar um bacon" - expressão de sua lavra.
Tinha motivos pessoais pra assumir a misantropia. Nunca o condenei pelas escolhas que fez. Jairo carregava um sentimento muito ruim, que pesava sobre sua cabeça: ter sido negado pelo próprio pai, homem bem-sucedido que o rejeitou desde criança deixando sua família na pior. Crescera sob o signo do abandono, já que sua mãe, apesar de esforçada, ter se destacado pela falta de comunicação com o filho.
Jairo foi encontrar alento e algumas respostas (?) no punk. Quando voltei a encontrá-lo, também descobria no punk como encarar certas aflições geradas pela sociedade. De Kinks, sem nunca abandoná-los, passamos à Buzzcocks, Sham 69, MC5, Stooges, Black Flag, Heartbreakers, New York Dolls, Pistols, The Boys (uma grande banda punk-mod que só ouvi com ele e nunca mais encontrei em lugar nenhum). Depois montamos uma "banda": eu (guitarra), Francis (baixo), Alisson e Caveira (hoje na Bidê ou Balde), na bateria.
O Jairo era o crooner (mistura bem realística ente Lux Interior e Robyn Tinner). Naquele tempo, Caveman desfilava frondoso corte de cabelo estilo White Panther. Os Dedicados Seguidores da Moda era o nome da banda. Barulho não faltava. O som, sim, é que era de menos. Eu atacava com um pedal Supper Fuzz Big Muff fabricado na União Soviética. Tinha cor de tanque de guerra, tamanho e peso de tijolo. A distorção era excruciantemente maravilhosa: soava como 1000 colméias em dia de festa. Éramos muito ruins e, no repertório, apenas Buzzcocks, Kinks e Mudhoney.
Jairo, com o passar do tempo, ficava cada vez mais ensimesmado. Agora percebo que a coisa só degringolou de vez quando, sem dinheiro pra bancar suas diversões entorpecentes, começou a fazer michê na rua José Bonifácio, em Porto Alegre. Jairo era assim: quando soube que Dee Dee Ramone pagava seus vícios prestando serviços sexuais, sentiu-se legitimado pelo ídolo. Numa dessas vacilou sem camisinha.
Boatos a seu respeito corriam nas rodas dos "amigos". Diziam, os maledicentes, que havia transado com fulano e sicrano. Faziam isso só pelo prazer mórbido de especular doentiamente. Uma maledicência pior que a da revista Veja. Jamais confessava sua doença aos outros. Comigo, sentia-se à vontade pra falar sobre tudo, de modo que, certa vez, me deu a entender sobre sua condição de saúde. Me chamava de Tom Verlaine...Jamais comentei com ninguém sua confissão. Viveu até seus últimos dias confecionando seus fanzines xerocados no melhor estilo Sniffin Glue. Seus textos eram mirabolantes e fantásticos, sempre com muito rock'n'roll e situações pras quais, agora, qualquer defição seria mero exercício minimalista.
Muitas vezes, tentei ajudá-lo pra ver se conseguia uma grana regular. Um desses fanzines era o Testemunhas de John Lennon. Ficava super feliz quando lhe dava umas revistas pra fazer suas colagens dadaísticas.
Inspirado em Jairo William Caveman, há quase uma década, escrevi o conto que - com todas suas imperfeições ortográficas e gramaticais originais -, reproduzo na postagem abaixo, sem me dar ao trabalho de corrigir. Flyng V: Innerspace, a história de um jovem subarbano abduzido por um casal de alienígenas swinggers.
Antes, reproduzo um texto que Jairo escreveu para Vive Le Flesh Nouveau!: "Summer 69". Sua morte ocorreu há cerca de um mês. Tomamos conhecimemento por um mero: "Tu sabia que o Jairo..." Uma amiga o tinha visto dias antes. Dissera estar "virado num palito". Pegou uma gripe e terminou seu breve show de três acordes. Não sei o dia em que nasceu, tampouco, o que morreu. Mas nada disso tem importância. Na realidade, para Jairo, nada disso importaria mesmo.
Flyng V é uma fantasia baseada na sua vida naquele momento, em algum lugar no final dos anos 90: o cara que certa vez me confessou ter se masturbado "olhando uma estela no céu". Essa história foi escrita após ter escutado tal relato. Ou melhor, escrevi pensando que a possibilidade imaginada seria uma forma plausível pra que superasse seus problemas terrenos.
Prefiro pensar na possibilidade onírica de sua morte à, simplesmente, imaginar que tenha ido ao céu ou ao inferno ou ao limbo. Não havia lugar pra Jairo Willian Caveman nesse mundo maniqueísta. Não sei se há em outros mundos. Talvez no espaço.


'Summer 69'

Jairo Willian Caveman

Ao som de "summer 69", de Pink Floyd, conto a história sobre um casal que se amava. Ela agora jaz no pijama de madeira e ele, ainda viril, chora sobre vela e despede-se da sua amada e já defunta esposa. Ele tinha 40, ela 60.
Quando se conheceram ele tinha 20, e ela, uma coroa enxuta com olhos coloridos de farolete, direcionava todo seu amor para ele, o preenchendo de libidos e magnetismo atrativo com pitadas de voluptuosidade, ela se entregou a ele.
Foram morar juntos e com o passar do tempo ele dava incomodação por ser muito novo. Ela pagava quem quisesse pra trepar com ela. Como a vida de todo casal que presta, eles inutilizavam-se aos fins de semanas pro resto do mundo e ficavam apenas em casa a se amarem.
Com o decorrer do tempo, uns dez anos de relacionamento – se não me falha a memória –, ela começou a apresentar os problemas corriqueiros da velhice: reumatismo, manchas na pele, cabelos tão soltos quanto “algodão-doce” – como dizia carinhosamente ao seu cangote enquanto transavam – câncer de mama, miomas... uma porção de porcarias que a impedia de desfrutar do sexo furtivamente, e mesmo assim possuía o amor dele em abundância, o que todo mundo admirava e apoiava.
Passando 15 anos de suas relações, os dois começaram a sentir os sintomas do declínio. Já não podiam transar embaixo do chuveiro, pois, ele sentia-se como se estivesse fazendo sexo com um cadáver: todo molengo, se largasse o boneco cairia no chão, então, transavam apenas embaixo das cobertas, se não fosse ali sua fonte de sexo ele sustentava um celibato, em espera que seu bebê morresse e ele pudesse arranjar outra, eles transavam ao som de violinos com cordas bumbadas que emitiam o tanger da angústia, da pestilência que sofre o ser humano no decorrer dos anos, quando as crinas da vara entoavam a melodia ela pedia pra parar e resmungava sorrateiramente que não era mais possível, apenas lhe olhar e ficar rememorando os bons e velhos tempos, então, se abraçavam e choravam até o despontar da alvorada, quando ela jazia completamente morta em seus braços.
Jairo Willian

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

fREE cANINOS bRANCOS

rATOS dE pORÃO

Três décadas de barulho e anarquia da banda que consagrou João Gordo

POR CRISTIANO BASTOS - ROLLING STONE

Em 2010, os Ratos de Porão celebram 30 anos de punk/hardcore com um presentão e uma certeza. O mimo é a edição de Guidable – que sai agora em DVD duplo. São seis horas de extras, entre show e clipes.

"Guidable" é piada interna cunhada pela banda. Define desde "confusão mental" até um simples, e eficiente, "foda-se".

A história dos Ratos confunde-se com a chegada do punk ao Brasil. O filme, da dupla Marcelo Appezzato e Fernando Rick, da Black Vomit, levou dois anos para ser feito com orçamento praticamente zero. A maior parte do material pertencia ao arquivo particular do vocalista João Gordo.

Precursores do punk brasileiro, como Rédson (Cólera) e Clemente (Inocentes), também dão as caras no documentário.

A certeza que traz Guidable é que, se a banda seguisse a entornar o lema de "Beber até Morrer" (um dos clipes extras) – entre outras "cositas", – nenhum dos ratos teria sobrevivido para assoprar as velinhas nesta efeméride.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

nAS eNTRANHAS dO sERTÃO bRASILEIRO

Livro revela o estilo de vida, as vestimentas e os acessórios do bando do Lampião

POR CRISTIANO BASTOS - ROLLING STONE

Acaso o nova-iorquino Andy Warhol houvesse topado com a legendária "silueta" de Virgulino Ferreira da Silva, o temido cangaceiro Lampião, provável que o mais popular entre os mitos brasileiros também seria imortalizado na sua famosa galeria de retratos – lado a lado a vultos como James Dean e Marilyn Monroe.
A impecável obra Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço, porém, restaura à lenda a "chispa" simbólica empunhada por Lampião.

Frederico Pernambucano de Mello, o autor, é autoridade no tema do cangaço.
No prefácio, rubricado por Ariano Suassuna, o armorialista-mor confessa: "É o livro que eu gostaria de ter escrito".

Estrelas de Couro, além de tudo, é um tomo lindamente ilustrado. Escava na (ainda ignota) "cultura material" estilizada via mãos e cérebro do pernambucano Virgulino, legítimo factótum.
A edição apresenta, também, peças autênticas de manejo dos cangaceiros: signo-de-salomão, cruz-demalta e a flor-de-lis são apenas parte dessa "fortuna ornamental".
"O cangaceiro", anota o autor, "vestiu-se de cor e riqueza para atender seu anseio de arte nos motivos profundos do arcaico".
Muito orgulho, cor, festa e, para tingir de vermelho, litros de sangue derramado. Excelente obra para entender um espinhoso capítulo da história do Brasil.

fASHIONGAÇO





sábado, 4 de dezembro de 2010

dANDO uMA bOA oLHADA dEBAIXO dA cAMA

Entre junho e novembro de 1991, a Editora Record tentou, essa é a verdade, publicar no Brasil o clássico gibi Tales from the Crypt, da EC Comics.

Ao todo, apenas sete parcas edições do Contos da Cripta viram a luz das bancas de jornais.

Guri novo, consegui comprar somente dois desses números.

Esse aqui é um exemplar que se salvou no alfarrábio das relíquias de minha adolescência. De dezembro de 91, a edição traz, entre outros, um conto de psico-ficção-científica muito chocante escrito por Ray Bradbury.

Jackie Davies, Kurtzmann e Frazeta são outros autores que também "exprimiram sangue" na páginas da Cripta.

Lembro ter lido e folheado o gibi, filho único, dezenas de vezes - e não sem o mesmo calafrio de sempre. O motivo eram os enredos de suspense na linha soberbamente canônica (e horripilante) do mestre Edgard Allan Poe.

Numa das estórias mais impressionantes, após cometer grave crime o bandido fica paranóico com as próprias digitais e, por fim, consigo mesmo.

Desabaladamente sai a limpar a cena do crime com igual obssessão do "noiadinho de pedra". Finalmente pira: o crime nunca compensa.

Noutro quadrinho, o pobre e desavisado viajante noturno descobre-se numa convenção de... vampiros! Tarde demais.

A única coisa, na real, que a Record fez direitinho foi apresentar material antigo da EC Comics no formato "magazine", seguindo especificações originais da revista.

Em sua existência breve, a edição nacional primou por desleixo gráfico, papel de terceira e impressão meia-boquíssima.

Não emplacou por falta de capricho.

No divertidíssimo Nostalgia do Terror dá para conhecer todas as edições da Tales From The Crypt saídas no Brasil.

O site conglomera verdadeiro universo paralelo de capas, títulos e editoras (de épocas distintas) e libera, também, downloads de hq's de artistas da velha e nova guarda.

Ainda tem contos, reportagens e o apavorante "Correio do Terror". A ilustração desse post é um almadiçoado walpapper: roube-o aqui. Seria muito legal seria se a Record - ou outra esperta editora  -reeditasse o gibi no Brasil.

E, nem é preciso dizer, com a merecida qualidade.

Enquanto não rola delicie-se com uma série de capas originais da Tales From The Crypt da década de 1950, era dourada da revista.

E, antes de ir dormir, não esqueça: dê uma boa olhada debaixo da cama!





terça-feira, 30 de novembro de 2010

bAD tRIP sIMULATOR#2

Munha do Satanique Samba Trio fala sobre a nova peça diabólica de morte da MPB

POR CRISTIANO BASTOS/URBANAQUE

Obscurantistas, sacrílegos, subversores, SATANISTAS! O Satanique Samba Trio, ou (SS3), carrega essa avalanche de alcunhas agourentas nas costas e no nome da banda com o mesmo prazer libertador que Jesus teve ao carregar a cruz.

E durante este tortuoso percalço o trio teve que se deparar com a fúria de fiéis fanáticos do HOMEM, produtores musicais inescrupulosos que pregam a palavra do "faça-você -mesmo" em favor próprio e mesmo assim chegaram firmes ao terceiro ato do périplo, intitulado Bad Trip Simulator #2.

O destemido Cristiano Bastos encontrou Munha, representante destes pobres diabos, em uma encruzilhada do nosso Distrito Federal e incitou-o a propalar algumas palavras sobre a nova peça diabólica de desconstrução e morte da MPB cometida pelas bestaferas.

[Faça o sinal da cruz antes de ler]

Antes de mais nada, fale sobre o disco que o Satanique Samba Trio está lançando. Se chama Bad Trip Simulator #2, certo?

Munha - Sim. É a primeira peça de uma trilogia (em 2011 lançaremos o Bad Trip Simulator #1 e depois, sabe-se la quando, o #3) e está a venda no nosso site (www.sataniquesambatrio.net). Como sei que comprar discos em lojas virtuais pode ser trabalhoso demais para a maioria dos maconheiros lendo essa entrevista, aviso que também vendemos nossas tralhas pelo e-mail.

A propósito, por que estão lançando o volume 2 antes do 1?

Munha - Ordenar números naturais é uma prática cristã.

Ok… E é verdade que a banda vem sendo perseguida por grupos evangélicos?

Munha - Não chega a ser perseguição, mas definitivamente estamos sendo assediados por cristãos fanáticos (de católicos e evangélicos a espíritas) via internet. É comum que cheguem mensagens de intolerância, ameaças de boicote e sermões religiosos (a maioria repleta de erros ortográficos vergonhosos, diga-se de passagem) na nossa conta oficial de email.

Não negarei que acho divertido, mas volta e meia fico deprimido com a frequência dos ataques.

E o que esse "cristãos fanáticos" costumam alegar durante os ataques?

Munha - Ah, nos acusam de heresia, infantilidade e até de envolvimento com o Candomblé…o que, por sinal, é muito preconceituoso da parte deles. Primeiro por que assumem – sem o mínimo conhecimento de causa sobre qualquer culto afro-brasileiro – que o Candomblé representa uma prática de idolatria demoníaca.

Segundo por que deduziram que nós estaríamos automaticamente envolvidos com o Candomblé só por que escolhemos ostentar uma referência a Satã no nome do projeto. É muita ignorância, convenhamos.

Então o Satanique Samba Trio não é uma banda de macumba-jazz?

Munha - Certamente que não! Seria desrespeitoso com o Candomblé e outros cultos afro-brasileiros associá-los a crenças monoteístas. Acredito que desavisados enxerguem essa conexão por causa da matéria-prima que usamos em nossa estética, que é predominantemente calcada em ritmos afro-brasileiros.

Claro que estampar uma galinha morta no primeiro disco da banda não ajuda muito nessa dissociação que você parece exigir…

Munha - Não é uma galinha, é uma pomba. Aliás, antes que você pergunte, já adianto que as pombas mortas nas capas dos nossos discos representam o sacrifício ritualístico do bom-mocismo na MPB. Nada a ver com candomblé.

Essa última resposta soou meio Black Metal. Vocês se interessam por essa estética?

Munha - Nem um pouco.

O mercado do rock undergound não os apraz, então?

Munha - Existem alguns obstáculos no trânsito do Satanique Samba Trio por esse universo. Como somos músicos profissionais e precisamos ganhar dinheiro com nossas apresentações, fica difícil nos atirarmos em projetos e festivais que partam do pressuposto que o artista convidado está devendo um favor ao subir em seus palcos.

Não me leve a mal: o público do rock sempre nos recebeu muito bem e com certeza ainda apareceremos neste ambiente ocasionalmente, mas quem sustenta nossos vícios são os eventos de jazz e MPB.

Desenvolva o tema…

Munha - Obviamente, existe um resquício da tradição do faça-você-mesmo no inconsciente coletivo do rock brasileiro. Parece haver um acordo invisível de não-pagamento entre os produtores e os artistas. Muitas vezes o produtor organiza os eventos da maneira mais econômica possível e oferece o palco para que o artista se apresente.

Esse costume gera uma dificuldade para os artistas se manterem financeiramente a partir de sua música e o ciclo se fecha. Não à toa, a maioria dos músicos que tocam em bandas de rock o faça como um passatempo, antes de qualquer coisa.

Atente para o fato de que me referi à maioria, não a todo o mercado. É lógico que a Pitty vive de música, recebe cachê e paga bem toda sua equipe…

Opa, o que temos aqui? Um fã da Pitty?

Munha - Em nome de Satã, não!

E essa história de Satanique Samba Trio Elétrico? Que diabo é isso?

Munha - É exatamente isso. Subimos em um trio elétrico e circulamos pelas ruas de Brasília (DF) tocando nosso repertório. Foram 5 ou 6 edições patrocinadas pelo fundo de apoio a cultura, acredite ou não.

Apoio do governo? Interessante…

Munha - Sim, disso não podemos reclamar (o que certamente é uma pena), até por que o trio elétrico se tornou uma alternativa para palcos controlados por produtores que têm medinha de nosso furacão. A bem da verdade, a Secretaria de Cultura do DF tem nos ajudado bastante.

Mesmo sabendo que vocês usam drogas?

Munha - Ok, essa acusação foi pra lá de leviana. Não posso falar pelos outros membros do SS3, mas eu nunca usei drogas ilícitas.

E você não pode usar drogas por causa de seu envolvimento com artes marciais? Descobri essa faceta inusitada sobre sua pessoa recentemente e achei que deveria incluir nesta entrevista. Parece digno de nota. Pra esclarecer: o quão envolvido com isso você está ou esteve?

Munha - Ultimamente tenho me dedicado ao Vale-Tudo, mas treino jiu-jitsu desde 2008, Muay-Thai desde 99 e Sanshou desde 93. Afinal, o futuro é um soco na cara…

CANCIONEIRO INFERNAL
1. Lambada post mortem
2. Cabra da peste negra
3. Ana Lídia resurrection
4. Self-destructing samba-reggae
5. Tagua York City molestus ostinato
6. DF death trap
7. Luciferi turn turn
8. Cancro Molly
9. Deprelicius
10. Badtriptronics #14
11. Herpes soul & samba zoster
12. Estilo Ricky Ramirez (original mix)
13. Pentagramarama
14. Kit de amputação asasulista

*Baixe Bad Trip Simulator #2 que não dá nada. Satã ainda dá uma força...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

pEPEU gOMES

PAR CRISTIANO BASTOS - MAGAZINE BRAZUCA

Comme tout grand guitariste qui se respecte, Pedro Anibal de Oliveira Gomes, Pepeu Gomes, se dédia très tôt à son instrument. A 11 ans, il intégra le groupe «Los Gatos» et, à 14 ans, il rejoignit le groupe «Os Minos».

C'est cependant avec son groupe suivant, les Leifs, for- mation qui accompagna Gilberto Gil et Caetano Veloso dans son album Barra 69, qu'il achève l'exil des deux Bahianais «subversifs».

A l'époque Gilberto Gil offrit à Pepeu son LP Smash hits, de Jimi Hendrix: «Ma vie n'a plus jamais été la même», raconte-t-il. La musique bré- silienne non plus. En 1972, après avoir intégré la famille des Novos Baianos, ce guitariste représente une par- faite alchimie entre la samba, le rock, et la brésilianité.

Mais bien sûr Pepeu Gomes a aussi eu une vie post-No- vos Baianos. Sa carrière solo va être à l’origine d’un cer- tains nombre de hits très polémiques comme homem Feminino, et Barrados na Disneylandia, enregistré avec sa femme la chanteuse Baby Consuelo (mainte- nant «Baby do Brasil»).

Son premier disque solo Geração do Som, est un disque très exubérant, aussi bien au niveau de la technique qu’au niveau des sentiments. Ce n’est pas pour rien qu'aux Etats-Unis, il a été nommé par le magazine Guitar World l’un des meilleurs gui- taristes du monde dans la catégorie world music.

C'est l'homme de la situation.

...

Como todo grande guitarrista que se preze, Pedro Anibal de Oliveira Gomes, Pepeu Gomes, cedo empunhou seu instrumento. Aos 11 anos, entrou nos Los Gatos e, aos 14, integrou o conjunto Os Minos.

O domínio sobre as cordas (guitarra, violão e craviola), porém, rebentou com a banda seguinte, Os Leifs, formação que acompanhou Gilberto Gil e Caetano Veloso no álbum Barra 69, que carimbou o exílio dos "subversores" baianos.

Na época, Gilberto Gil presenteou o púbere Pepeu com o LP Smash Hits, de Jimi Hendrix: "Minha vida nunca mais foi a mesma", contou. Tampouco a música brasileira foi a mesma. Em 1972, integrado à famiglia Novos Baianos, o guitarrista fez a perfeita e alquímica junção de samba, rock e brasilidades afins.

Pepeu Gomes também teve vida pós-novos baianos. Sua obra-solo produziu hits polêmicos, como "Homem Feminino", e o verídico "Barrados na Disneylandia", ao lado da esposa e cantora Baby Consuelo (hoje "do Brasil").

Seu primeiro disco-solo, Geração do Som, é exuberante em técnica e sentimento. Não à toa, foi eleito pela revista norte-americana Guitar World um dos dez melhores guitarristas do mundo na categoria world music.

É O cara.

FISSURA (Pepeu & Geração de Som)
 





sábado, 20 de novembro de 2010

cASTIGO - lUPICÍNIO rODRIGUES




*Música cantada heroicamente por Nelson Gonçalves após ser nocauteado, no sétimo round, pelo campeão mundial Éder Jofre. A luta (foto) marcava o regresso de Nelson aos palcos quando ganhou "alta" de seu exílio contra o vício em cocaína. Ginásio do Ibiapuera, São Paulo, 1966. Aqui a gravação é do próprio Lupi, que, de mulheres, entendia muito bem. A letra dá a real...

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